28/Jan/2026
Segundo a StoneX, o mercado global de fertilizantes inicia 2026 sob um cenário de baixa previsibilidade e custos elevados, forçando produtores e importadores a adotarem estratégias rigorosas de mitigação de riscos. O setor ainda lida com os reflexos de relações de troca desfavoráveis e gargalos geopolíticos que limitam a oferta de nutrientes essenciais. No cenário internacional, a grande preocupação recai sobre os fosfatados. A China deve manter a suspensão de suas exportações durante boa parte de 2026, o que tende a manter o balanço global desse nutriente extremamente apertado.
Somado a isso, o alto custo da amônia (insumo base para os nitrogenados) e os preços elevados do enxofre no mercado externo pressionam as margens das indústrias e, consequentemente, o preço final ao agricultor. Na Europa, o mercado enfrenta incertezas com a implementação do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), tarifa de importação aplicada sobre produtos cuja produção emite muito carbono, que passa a vigorar plenamente em 2026. Como a produção de fertilizantes emite níveis elevados de CO2, não há clareza sobre a magnitude do impacto no setor.
O receio com o aumento nos custos de importação e as exigências ambientais do CBAM levou compradores europeus a anteciparem estoques no final de 2025, o que pode gerar uma calmaria sazonal no curto prazo, mas mantém o alerta ligado para o restante do ano. A geopolítica continua sendo um fator de risco central para a disponibilidade de fertilizantes no mundo. O relatório aponta que a instabilidade no Irã e as tensões na Venezuela adicionam camadas de incerteza sobre os produtos exportados para grandes mercados consumidores, como o Brasil e a Índia. Em contrapartida, alguns fatores atuam como "válvulas de escape" para os preços, como a retirada de tarifas de importação pelos Estados Unidos e a remoção de sanções sobre o cloreto de potássio (KCl) da Bielorrússia, o que ajuda a equilibrar a oferta global de potássicos.
No Brasil, o cenário de margens apertadas levou a uma mudança estratégica notável no perfil das importações em 2025. Houve uma substituição de produtos de alta concentração por opções de menor custo. No curto prazo, a atenção segue voltada para a aquisição de produtos para a implantação da 2ª safra de milho de 2026. Com relações de troca pouco atrativas, atrasos no plantio e condições climáticas adversas em algumas regiões, há dúvidas quanto às margens e exposição a riscos. A partir do segundo semestre do ano, as importações de fertilizantes devem ganhar força em função do plantio da safra de verão (1ª safra 2026/2027). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.