ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

15/Jan/2026

Fertilizantes: queda no poder de compra do produtor

O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou dezembro em 1,31, acima do resultado de novembro, quando estava em 1,12. O avanço reflete um ambiente combinado de queda nos preços das commodities agrícolas, variações nos fertilizantes e valorização do dólar, que subiu cerca de 2% no período. Quanto mais alto o indicador, pior a relação de troca para o produtor rural. O índice é divulgado mensalmente pela Mosaic. As commodities agrícolas registraram recuo médio de 0,8% em dezembro, puxadas principalmente pela soja, que caiu 2,3%, e pelo algodão, com retração de 2%. Esse movimento esteve ligado à expectativa de uma safra elevada e ao início da colheita nos estados do Paraná e Mato Grosso. Cana-de-açúcar e milho permaneceram praticamente estáveis, embora o milho siga pressionado pela perspectiva de uma boa 2ª safra de 2026 no Brasil.

Do lado dos insumos, os fertilizantes apresentaram queda média de 0,3% no mês. A ureia recuou cerca de 2%, influenciada por baixa liquidez e pressão de estoques. Em contrapartida, o superfosfato simples subiu 3,8% e o cloreto de potássio avançou 2,6%, sustentados pela maior demanda para atendimento dos requerimentos de safra e pelo aumento dos custos de produção. A Mosaic também destacou o impacto do câmbio no comportamento do índice. A valorização do dólar, impulsionada pelas incertezas políticas globais e por indicadores econômicos domésticos recentes, contribuiu para o movimento do IPCF em dezembro. No cenário internacional, o mercado segue atento às cadeias de fosfatados, ainda ajustadas pela redução temporária das exportações chinesas, e aos preços globais do enxofre, que permanecem firmes diante da maior demanda de outros setores industriais, como o de baterias.

Para os próximos meses, o foco do mercado interno permanece na colheita da soja e no avanço do plantio da 2ª safra de 2026, fatores que devem seguir influenciando a dinâmica de preços. Apesar da volatilidade observada ao longo do ano, o IPCF fechou 2025 com média anual de 1,18. O resultado reflete a resiliência do setor e a capacidade de adaptação do produtor brasileiro às condições internacionais, mantendo um ambiente saudável de competitividade. O IPCF mede a relação entre os preços de fertilizantes e de commodities agrícolas, tendo como base o ano de 2017. Quanto menor o índice, mais favorável é a relação de troca para o produtor rural. O cálculo considera as principais lavouras do País, como soja, milho, açúcar, etanol e algodão, utilizando dados da consultoria CRU para fertilizantes no porto brasileiro e preços médios das commodities apurados no mercado nacional. Quanto menor o IPCF, maior é o poder de compra de fertilizantes. Fonte: Mosaic. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.