09/Jan/2026
O ano de 2026 começa com grande expectativa para a nascente indústria do hidrogênio verde no Brasil. Há mais de R$ 64 bilhões em projetos com decisões finais de investimento (FID) previstas para ocorrer neste ano. A definição depende, em grande medida, de mais clareza sobre a regulamentação do marco legal do hidrogênio, além de questões relacionadas à conexão com o sistema de transmissão de energia elétrica, e condições do mercado consumidor. Mas sinais vindos da China trouxeram ânimo para o setor, com a expectativa de que o impulso do país asiático possa turbinar todo o mercado global. Em seu 15º Plano Quinquenal (2026-2030), a China incluiu o hidrogênio verde entre as indústrias estratégicas para o desenvolvimento nos próximos anos, com metas definidas para a quantidade de combustível que pretende produzir e para quais indústrias será oferecido.
Para a Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), o plano chinês funcionará como alento para os desbravadores do mercado de hidrogênio, porque tende a impulsionar não só a cadeia de suprimentos dessa indústria, mas uma cadeia global de uso do hidrogênio e derivados, como amônia verde e metanol. Na energia eólica e na energia solar, já se observou o quanto o impulsionamento da indústria chinesa foi importante para o desenvolvimento desses mercados no mundo inteiro. Essa vertente econômico-política do governo chinês mostra que é um caminho economicamente viável. A partir do desenvolvimento chinês do hidrogênio, o mundo irá se adequar ao uso do combustível. Para onde a China mirou na eletrificação da frota, o mundo inteiro seguiu, mirou na energia eólica, o mundo inteiro seguiu, mirou na energia solar, o mundo inteiro seguiu. Então, são oportunidades que se abrem, não só de mercado, mas de construção de política industrial e de trazer esse custo para baixo de uma forma mais rápida.
A despeito das incertezas que ainda persistem no marco regulatório brasileiro, o cenário nacional também é positivo. Há uma boa vontade do governo em conjurar todos os aspectos. O País está na iminência de publicação de um marco regulatório, que deve tratar de temas como a consolidação dos incentivos fiscais previstos no Regime Especial de Incentivos para a Produção de Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (Rehidro), os percentuais de conteúdo local que serão exigidos dos projetos, e regras do leilão de incentivos creditícios, por meio do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), que distribuirá mais de R$ 18 bilhões em créditos fiscais para empresas que produzam ou comercializem hidrogênio verde no Brasil. É o detalhamento das leis que foram aprovadas em 2024, para a gente realmente poder fechar as contas, pedir dinheiro no banco e botar o FID na rua. Outro desafio citado na indústria de hidrogênio é a conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN), em especial na Região Nordeste.
Neste sentido, o setor também vê avanços governamentais por meio do mais recente Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica 2025 (Potee), que definiu a instalação de equipamentos que permitirão a ampliação da margem de escoamento regional, e da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), que alterou a regra de acesso ao SIN, estabelecendo processos competitivos e exigências de comprovação de maturidade do projeto e garantias financeiras. Somente os projetos com decisão de investimento prevista para 2026 somam 6,15 gigawatts (GW) de capacidade de eletrólise. Os sete projetos com FIDs anunciados para 2026 estão em estágios diferentes de evolução e têm desafios distintos de implementação. O projeto da Fortescue no Complexo de Pecém, no Ceará, estimado em R$ 18 bilhões, é considerado o mais avançado, uma vez que os trabalhos conceituais de engenharia já foram concluídos, além de já deter pré-contrato com o Porto de Pecém e licença ambiental prévia para instalação.
No entanto, ela ainda busca compradores para o hidrogênio e a amônia que pretende produzir lá a partir de 2030. Pecém também pode acolher mais quatro projetos: da Casa dos Ventos, de R$ 12 bilhões, da frv (R$ 6 bilhões), da Voltalia (R$ 2,7 bilhões) e da Qair (R$ 17,7 bilhões), todos voltados principalmente para a produção de amônia. O projeto da dinamarquesa European Energy, de R$ 2 bilhões, fica em Porto de Suape, Pernambuco, e já tem negociações avançadas com empresas de navegação para o metanol que a empresa planeja produzir a partir de 2028. Em outra frente, a Atlas Agro avança em seu projeto de fertilizantes nitrogenados em Uberaba (MG), focado no mercado nacional. O projeto integra a carteira de investimentos estratégicos do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) e foi selecionado como um dos 5 Hubs de Hidrogênio pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Para o período 2027 a 2029, há mais cinco projetos com FIDs anunciados, somando aproximadamente R$ 45 bilhões em investimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.