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05/Jan/2026

Fretes: preços deverão subir neste início de 2026

O tabelamento de fretes rodoviários no Brasil tem provocado distorções relevantes no mercado logístico do agronegócio e tende a intensificar a pressão sobre o escoamento de grãos no início de 2026. A medida entra em vigor em um momento sensível do calendário agrícola, caracterizado por elevados estoques de milho, início da colheita da soja e necessidade de liberação de capacidade de armazenagem, o que amplia os desafios logísticos. Em novembro, o mercado de fretes apresentou relativa estabilidade, com variações moderadas nas principais regiões produtoras, mas já foi possível observar interferências na formação de preços durante o período de entressafra, especialmente nos principais polos agrícolas do Centro-Oeste. O tabelamento tem reduzido a fluidez logística e afetado a alocação eficiente de caminhões, criando incentivos desiguais entre rotas e concentrando o fluxo em trajetos mais curtos, em detrimento de rotas mais longas e estratégicas para o escoamento da produção.

Esse rearranjo ocorre em um contexto de elevado volume de milho ainda a ser transportado, com expectativa de que grande parte desse produto seja movimentada nos primeiros meses do ano, justamente quando a colheita da soja se intensifica. A sobreposição entre grandes estoques remanescentes e o avanço da nova safra tende a agravar gargalos logísticos e elevar o risco de pressão adicional sobre os fretes no início de 2026. Dinâmica semelhante é observada em outros estados do Centro-Oeste, onde atrasos no calendário agrícola e posterior concentração da colheita comprimem a janela logística, forçando um aumento da demanda por transporte em um curto espaço de tempo e pressionando custos e disponibilidade de caminhões.

Apesar das distorções, não se projeta risco de paralisações no setor de transporte rodoviário. Mesmo diante do descontentamento de parte dos transportadores, há percepção de continuidade das operações, apoiada por um ambiente favorável ao escoamento da produção, com demanda firme tanto no mercado interno quanto no externo. Esse contexto contribui para a manutenção da atividade logística, mesmo em um cenário internacional ainda marcado por incertezas e tensões comerciais.

Em outras regiões, o comportamento dos fretes tem sido heterogêneo. No Distrito Federal, houve retração no fim de 2025, com expectativa de retomada gradual da demanda à medida que a safra 2025/26 avance. No Matopiba, observam-se diferenças entre estados, com fretes mais sustentados em rotas portuárias, apoiados pelo fluxo de retorno ligado à importação de fertilizantes, enquanto áreas em entressafra registraram queda nas cotações devido à menor oferta de cargas. No Sul, a demanda por transporte foi mais moderada, reflexo do elevado nível de comercialização da safra anterior, embora o cenário possa se alterar com o avanço do novo ciclo produtivo.

O pano de fundo desse quadro é uma safra volumosa, com produção total estimada em 354,4 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/26. A soja deve alcançar 177,1 milhões de toneladas, enquanto o milho pode somar 138,9 milhões de toneladas considerando todas as safras. Diante desse volume expressivo, da proximidade da colheita da soja e das distorções introduzidas pelo tabelamento de fretes, a tendência é de manutenção das cotações do transporte rodoviário em níveis relativamente elevados no início de 2026, com pressão mais concentrada nos meses de janeiro e fevereiro. Fonte: Carlos Cogo - Cogo Inteligência em Agronegócio.