05/Dec/2025
A paralisação nacional marcada para esta quinta-feira (04/12) pela União Brasileira dos Caminhoneiros (UBC) não teve a adesão dos transportadores autônomos. Não foram registrados bloqueios ou pontos de contingenciamento e interdições nas rodovias federais. O trânsito flui normalmente. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que não recebeu qualquer tipo de comunicação formal sobre a paralisação. Conforme o Artigo 95 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), nenhum evento que possa perturbar ou interromper a livre circulação de veículos e pedestres pode ser iniciado sem permissão prévia da autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via, afirmou a PRF. A PRF acrescentou, ainda, que os 75 mil quilômetros de rodovias federais permanecem sob ronda e monitoramento.
A PRF mantém o habitual trabalho diário observando o fluxo de veículos e eventuais fatos atípicos que possam acontecer no ambiente rodoviário. Uma ala de caminhoneiros ameaçava uma greve geral no País a partir desta quinta-feira (04/12). O movimento foi capitaneado pela UBC, que estimava adesão de aproximadamente 20% da categoria em mobilização inicial. A maior parte da categoria, entretanto, diverge da manifestação e teme uso político de uma eventual paralisação. Entidades que representam transportadores autônomos refutam uma adesão formal ao movimento, apontam para anistia aos envolvidos nos atos do 8 de janeiro como pano de fundo e afirmam que os caminhoneiros não serão utilizados como "massa de manobra".
Apesar da convocação da UBC, entidades como Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) negam indicativo de paralisação da categoria neste momento. A entidade protocolou uma petição quanto à greve junto à Presidência da República com 18 pleitos da categoria. Entre eles, a estabilidade contratual do caminhoneiro; a reestruturação do Marco Regulatório do Transporte Rodoviário de Cargas; atualização do piso mínimo do frete especialmente para veículos de nove eixos; congelamento das dívidas de caminhoneiros autônomos pelo prazo de 12 meses; aposentadoria especial após 25 anos de atividade; isenção de pesagem entre eixos; linha de crédito de até R$ 200 mil para caminhoneiros; destinação de 30% das cargas de empresas estatais para caminhoneiros autônomos.
Outra demanda da categoria é a adoção de medidas administrativas que regularizem a situação de motoristas autônomos envolvidos em mobilizações anteriores. A Abrava e a CNTTL reconhecem, contudo, que lideranças mais inflamadas da categoria podem mobilizar ações localizadas e regionais conforme as preferências políticas e partidárias individuais dos transportadores autônomos. A categoria foi um dos segmentos de maior apoio à eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018. Em julho deste ano, a oposição tentou articular mobilização de caminhoneiros em meio ao recesso parlamentar em um movimento "pró-Bolsonaro", que acabou frustrado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.