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04/Dec/2025

Máquinas: impactos das tarifas dos EUA no setor

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entidade da indústria de máquinas e equipamentos, estima em US$ 400 milhões a perda nas exportações do setor aos Estados Unidos neste ano. Já há relatos de demissões e queda de faturamento em fábricas que exportam ao mercado norte-americano. O crescimento de 1% das vendas externas de bens de capital desde o início do ano, incluindo todos os destinos, não decorre de um deslocamento a novos mercados de produtos que deixaram de ser vendidos para os Estados Unidos. O motivo é que, enquanto os pedidos dos Estados Unidos caíram drasticamente, a Argentina, em especial, está comprando mais máquinas do Brasil, sobretudo equipamentos usados no campo e na construção civil. Mas não são, em geral, as mesmas máquinas fornecidas ao mercado norte-americano. Não foi um trabalho de curto prazo de abertura de mercado. Isso não existe. Demora muito tempo para abrir um mercado novo.

Foi uma coincidência o aumento das vendas para Argentina, Singapura e México. Uma coisa não está ligada a outra. A abertura de novos mercados, um processo que envolve participações em feiras, licenciamento de distribuidores e formação de estoques, leva no mínimo oito meses. Os Estados Unidos, que dois anos atrás compravam 31% das máquinas exportadas pelo Brasil, agora são o destino de 19% das exportações totais. As empresas que vendem aos Estados Unidos não recuperaram as exportações perdidas. O conjunto da Abimaq, sim, mostra uma recuperação, mas não, pontualmente, as empresas que perderam exportações. Não fosse o tarifaço, as exportações do setor, incluindo todos os destinos, poderiam se aproximar neste ano do recorde registrado em 2023, quando as fábricas de máquinas faturaram US$ 14 bilhões com vendas a mercados internacionais. O balanço divulgado nesta quarta-feira (03/12) mostra que as exportações chegaram a US$ 13,3 bilhões em doze meses até outubro. A avaliação é de que as negociações entre Brasil e Estados Unidos não devem ter um desfecho rápido.

O setor de máquinas e equipamentos não deve entrar numa lista de exceções do tarifaço de Donald Trump. Isso porque os Estados Unidos não dependem tanto das máquinas brasileiras quanto dos produtos que tiveram a sobretaxa de 40% retirada por conta dos impactos na inflação, caso de carne bovina, frutas e café. Como o setor de máquinas não entra no índice de inflação dos Estados Unidos, não deve entrar nas exceções. É um bem de capital, não de consumo. Muitas das máquinas também têm concorrentes norte-americanos ou de outras origens. O setor vai ser contemplado apenas quando houver um acordo comercial redefinindo o patamar das tarifas. Há interesse do governo norte-americano em negociar, já que os Estados Unidos querem acessar reservas de terras raras, tratar da regulamentação das big techs e abrir mercados agrícolas onde as tarifas são altas no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.