02/Dec/2025
Segundo o Rabobank, os custos mais altos de adubação e a pressão sobre os preços dos fertilizantes devem continuar comprimindo a rentabilidade dos produtores de grãos em 2026. O impacto é maior sobre o fósforo, com reflexo direto no custo da soja na Região Sul, e ocorre num momento em que produtores ainda enfrentam endividamento elevado e margens ajustadas após dois anos de queda de preços internacionais. O produtor vai ter de continuar reduzindo custos e alavancagem ao longo de 2026 para ver melhora mais consistente apenas em 2027. Apesar da estabilização das margens operacionais, o peso das dívidas contraídas entre 2021 e 2023 ainda limita o fluxo de caixa. A combinação de juros altos, menor produtividade em regiões como Mato Grosso e despesas financeiras acumuladas manteve a inadimplência elevada, com reflexos nos pedidos de recuperação judicial.
O cenário das empresas de insumos também segue pressionado. A indústria de defensivos ainda absorve o excesso de estoques formado no período pós-pandemia e enfrenta dificuldade adicional com o maior risco de crédito no campo. As empresas sofrem tanto pelo volume alto de produtos nas prateleiras quanto pelas dificuldades no ciclo de recebimento, dada a situação financeira mais comprometida dos produtores. Nos fertilizantes, o ponto central permanece no fósforo. O preço do fosfato monoamônico (MAP) subiu de cerca de US$ 630,00 por tonelada no fim de fevereiro para quase US$ 760,00 por tonelada dólares no fim de julho, justamente na janela de compras do Brasil para a soja. O movimento ocorreu porque a China, grande produtora global, priorizou o mercado doméstico, reduzindo a oferta ao exterior.
A migração para alternativas como superfosfato simples e superfosfato triplo não evitou o aumento do custo total de adubação. Mesmo com o fósforo em leve queda nas últimas semanas, isso não deve sustentar; virando o ano, a demanda deve voltar e puxar os preços de novo. Em relação à ureia, o mercado tem sido influenciado pelas compras concentradas da Índia, que lança licitações grandes (de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas) com prazos curtos de entrega. Esses volumes aumentam a volatilidade e deixam o mercado atento aos próximos movimentos indianos. No potássio, o cenário é de estabilidade, embora em níveis mais altos que os de 2024. Os preços do ano passado ficaram próximos do custo de produção do cloreto de potássio, o que levou empresas a queimar caixa para manter a oferta. A alta de 2025 representa, portanto, uma correção desses valores.
Mesmo com a oferta global considerada saudável, os preços subiram para recompor a margem das produtoras. As entregas de fertilizantes devem permanecer elevadas. O Rabobank projeta cerca de 46,5 milhões de toneladas em 2025, com viés de alta que pode levar o volume para perto de 47 milhões de toneladas ou até acima disso. Para 2026, a estimativa é de mais de 47,3 milhões de toneladas. Os números dependem do ritmo de entrega no fim do ano, já que problemas logísticos em dezembro podem transferir parte do volume para janeiro. Eventos geopolíticos continuam sendo um ponto de atenção para o setor. No mercado de defensivos, o banco espera crescimento moderado no uso em 2026, apesar da maior cautela. A concorrência com empresas chinesas que vendem diretamente ao produtor, cortando intermediários tradicionais, deve manter o setor pressionado.
O acesso ao produtor exigirá mais estratégia das empresas estabelecidas. O viés é levemente positivo para o mercado de defensivos como um todo, mas com atenção ao risco de crédito. Os produtos biológicos, que ganharam participação relevante nos últimos anos principalmente no controle de nematoides e lagartas, também enfrentam pressão de margens. O banco não vê perda relevante de participação de mercado para esses produtos, mas avalia que as empresas devem operar cedendo preço para manter acesso aos produtores. É um setor que não deve perder facilmente o espaço conquistado, mas 2025 e 2026 continuam sendo anos de ajuste. Uma vez superado esse problema das margens com os produtores, deve voltar a crescer de maneira bastante forte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.