02/Dec/2025
O presidente da Yara no Brasil, Marcelo Altieri, afirmou que a empresa projeta quadruplicar o volume do portfólio de fertilizantes com menor pegada de carbono (lower carbon) para 2026. Inicialmente, o produto era destinado apenas para cafeicultura, em parceria com a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), que reduziu em até 40% a pegada de carbono do café no campo. No próximo ano, a Yara pretende expandir a atuação para novas culturas, como citricultura, milho, cevada e cana-de-açúcar. Para a ampliação do projeto, a Yara deve manter o investimento de R$ 8 milhões. “Já temos uma fábrica pronta, em Cubatão (SP), para essa produção, mas precisamos de investimento em produção de biometano, algo que não entra na atuação da Yara”, disse Altieri.
O vice-presidente de Agronomia e Marketing da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, acrescentou que a expansão vai se fundamentar por meio de parcerias com agroindústrias. “Faremos parcerias que levem as nossas soluções e que possam fazer a rastreabilidade do produto”, afirmou o executivo. “Nos primeiros meses de 2026 devemos anunciar as empresas parceiras porque já avançamos nos diálogos.” Altieri chamou atenção para a urgência de investimentos na construção de gasodutos no Brasil e afirmou que a Yara não pretende entrar neste segmento. “É um papel das indústrias de infraestrutura e exige também uma regulamentação clara para que funcione bem”, disse.
O vice-presidente de Agronomia e Marketing da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, espera que o mercado de fertilizantes no Brasil chegue a 48 milhões de toneladas em 2026. “Essa era a expectativa para 2025, mas vamos encerrar em cerca de 46 milhões. Para o próximo ano, vamos retomar os 48 milhões”, afirmou o executivo. A redução em 2025 é atribuída ao menor uso do insumo no campo devido aos efeitos das mudanças climáticas, especialmente no Rio Grande do Sul, segundo Schmitz. “Tivemos redução de aplicação de produto e de área em algumas regiões produtoras de grãos”, disse. Para 2026, a expectativa de uma boa safra de grãos anima as projeções.
“O mercado de grãos deve seguir estável, ainda que as rentabilidades estejam um pouco menores em relação a 2019 e 2021”, disse Schmitz. “Ainda sim, vemos os produtores buscando mais tecnologia.” O executivo acrescenta que o aumento do uso de matérias primas menos concentradas, em função da alta dos fertilizantes observada nos últimos meses, exige atenção das autoridades brasileiras. “Houve uma conversão de ureia para sulfato, que está com melhor competitividade do produto chinês, mas os nutrientes do sulfato são menores. O produtor precisa ter ciência disso porque o efeito agronômico é bem menor.” Fonte: Broadcast Agro.