01/Dec/2025
Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), apesar da Petrobras não reajustar o diesel há mais de 200 dias nas suas refinarias, nos postos de abastecimento o combustível com menor teor de enxofre (S-10) registrou alta de 0,16% em novembro contra outubro. O preço médio no País do diesel S-10 subiu para R$ 6,22 por litro, enquanto o diesel comum permaneceu com o preço estável, em R$ 6,19 por litro. O diesel S-10 registrou um pequeno avanço nos preços em novembro, ao passo que o diesel comum permaneceu com a mesma média de preço. Mesmo com esse ajuste, o cenário aponta para um movimento de acomodação após um primeiro semestre com oscilações mais acentuadas. Como principal componente dos custos do transporte, o diesel segue influenciando diretamente os gastos da cadeia logística a cada variação de preço. A Petrobras é responsável por 80% do refino do País, sendo o restante abastecido por refinarias privadas.
No Amazonas, opera a Refinaria da Amazônia, do grupo Atem, e na Bahia, a Refinaria de Mataripe, controlada pela Acelen. A Região Nordeste se destacou com as maiores altas do período para os dois tipos de diesel. O tipo comum teve alta de 0,49%, com média de R$ 6,20 por litro, enquanto o S-10 ficou 0,48% mais caro, custando, em média, R$ 6,22 por litro. A Região Centro-Oeste teve a maior queda para o diesel comum, de 0,48%, com média de R$ 6,23 por litro. Nenhuma região apresentou queda para o diesel S-10 em novembro. A Região Sul seguiu com os preços mais competitivos para o diesel: R$ 5,97 por litro do diesel comum (-0,17%) e R$ 6,02 por litro para o S-10 (estável). A Região Norte continuou com os preços médios mais altos: R$ 6,79 por litro para o diesel comum (+0,44%) e R$ 6,58 por litro para o S-10 (+0,15%). A maior média para o diesel comum em novembro foi registrada no Acre, de R$ 7,46 por litro, uma queda de 1,06%.
O Paraná aparece como o Estado onde os motoristas encontraram o diesel comum mais em conta em novembro, a R$ 5,94 por litro, em média, o mesmo preço de outubro. A Paraíba, por sua vez, apresentou a alta mais significativa do País para o diesel comum, de 3,29%, comercializando o combustível a R$ 6,27 por litro, em média. Mas, a maior queda no mês passado foi registrada em Roraima, de 1,34%, sendo comercializado, em média, a R$ 7,37 por litro. Em relação ao diesel S-10, o maior preço médio registrado em novembro também foi o do Acre, a R$ 7,42 por litro, mesmo após queda de 0,80% em novembro. No Paraná, foi identificado o menor preço médio, de R$ 5,97 por litro, após aumento de 0,17% no valor do combustível no Estado. Em Pernambuco foi registrada a maior alta para o diesel S-10, de 1,17%, comercializado a R$ 6,05 por litro. O IPTL é um índice de preços de combustíveis levantado com base nos abastecimentos realizados nos 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log.
Segundo a StoneX, o diferencial entre diesel e petróleo diminuiu no mercado internacional após atingir, no início do mês passado, o maior patamar desde setembro de 2023. O movimento refletiu o receio quanto ao balanço do combustível no Hemisfério Norte. No Brasil, após a correção global, o spread recuou de R$ 0,50 por litro para R$ 0,27 por litro, nível ainda classificado como relevante. Depois de o Heating Oil (referência para sistemas de calefação) superar o Brent em mais de US$ 48,00 por barril, o crack spread (diferença entre o preço do petróleo bruto e o de seus derivados) voltou a ficar em US$ 40,00/bbl. A acomodação ocorreu depois de os Estados Unidos pressionarem a Ucrânia a aceitar condições de paz com a Rússia. Nos últimos dias, juntamente com a queda das cotações de petróleo e diesel, os contratos futuros de Heating Oil recuaram mais fortemente e passaram a ser negociados perto de US$ 2,35 por galão.
O pico do spread foi sustentado por estoques baixos nos Estados Unidos (em torno de 111 milhões de barris), o menor nível de diesel desde julho, pelas reservas comprimidas na Europa e pela retração do mercado russo, onde as exportações caíram 37% desde o início da guerra no Leste Europeu. O consumo norte-americano costuma atingir o auge entre dezembro e janeiro, mas temperaturas mais frias do que o normal anteciparam o maior uso residencial do combustível para calefação. Os dados do Departamento de Energia (DOE) apontam para exportações norte-americanas ainda altas, impulsionadas pela menor oferta russa. Isso gerou um alerta no mercado que o inverno restrinja a disponibilidade do produto. Mesmo após o recuo, o indicador segue elevado e pode retomar a trajetória de alta caso as conversas entre Ucrânia e Rússia se frustrem novamente. No Brasil, com a acomodação das cotações, a diferença na última semana caiu para R$ 0,27. Os valores de venda praticados pela Petrobras estão alinhados ao mercado externo e mudanças nas próximas semanas são improváveis.
A política da Petrobras considera variáveis além do Preço de Paridade de Importação (PPI). Nos últimos dias, o diferencial entre preços de venda de produtos chegando no exterior já está quase nulo. Contudo, dependendo da evolução do crack spread e do câmbio, algum reajuste pode ser necessário para equilibrar o cenário. Desde o conflito no Leste Europeu, o Brasil passou a exercer papel relevante no mapa de exportações russas de petróleo e derivados. Entre janeiro e outubro deste ano, as compras brasileiras de diesel cresceram 13% sobre 2024, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Foram mais de 14 milhões de metros cúbicos, recorde para o período. A entrada do combustível afeta principalmente o segmento de diesel B, mistura do óleo diesel A ao biodiesel (B100). Hoje, entre 20% e 30% do consumo nacional é suprido por importações. Essa demanda está sendo fortemente sustentada pela safra agrícola, somada à atividade industrial aquecida. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.