27/Nov/2025
Segundo o Insper Agro Global, o Brasil ocupa uma posição central no mapa geopolítico de fertilizantes. O País tem uma dependência externa de insumos que são produzidos em regiões “altamente vulneráveis”. O Brasil fica de fora das tensões geopolíticas globais. Mas, quando se trata de fertilizantes, está no centro da instabilidade. Hoje, o Brasil é o maior importador de fertilizantes do mundo, com 23% da demanda mundial, mas tem uma estratégia de barganha de baixo valor agregado: as commodities. Tratando-se de potássio, a dependência é ainda maior. E 40% dele vem da Rússia, uma região complexa e instável em termos geopolíticos. Os desafios do mercado de fertilizantes estão diretamente relacionados às logísticas globais e locais. O transporte de insumos é feito por meio de estreitos sensíveis, como os canais de Suez e do Panamá.
No Brasil, as distâncias falam mais alto, com gargalos rodoviários e ferroviários e alta concentração em poucos portos. A Rússia continuará como um fornecedor de fertilizantes crítico e insubstituível para o mundo, no curto e médio prazo. A dependência do Brasil de fertilizantes importados torna o País vulnerável a choques externos, que elevam custos, ampliam riscos e comprometem a produção agrícola. O Brasil é o maior exportador líquido de alimentos, talvez o mais importante do mundo. Mas, para isso seguir dando certo, é preciso olhar para a fragilidade do mercado de fertilizantes, como seus principais produtores e rotas de transporte. Segundo estudo do Insper Agro, “Geopolítica Global dos Fertilizantes: Impactos sobre o agronegócio brasileiro”, divulgado nesta quarta-feira (26/11), em 2024, cerca de 45% do fertilizante importado pelo Brasil veio de países que têm uma maior propensão à instabilidade política ou violência motivada por fatores geopolíticos, como Rússia, Belarus, Israel, Nigéria e outros.
O movimento de importação de fertilizantes do Brasil, no entanto, está mudando, considerando que o País tem buscado diversificar seus fornecedores. Segundo o estudo do Insper Agro Global, em 2000, aproximadamente 40% do nitrogênio e 49% do fósforo importados pelo Brasil vinham da Rússia. Em 2024, esses percentuais encontravam-se em cerca de 21% e 30%, respectivamente. Apesar disso, substituir as importações russas por outros fornecedores, como Canadá, China ou Marrocos, parece improvável no curto e até no longo prazo. Contratos estabelecidos pelas tradings e cooperativas são de longo prazo, variando entre 12 e 36 meses de duração. É difícil e custosa sua alteração. A dependência do Brasil de potássio importado é o “calcanhar de Aquiles” da economia agrícola brasileira atualmente. É alarmante o cenário atual em fertilizantes.
O Brasil é completamente vulneráveis nesse segmento, pois tem dependência externa para praticamente 100% de potássio. É algo que deveria preocupar muito. O agronegócio precisa agir a partir de uma perspectiva de poder, como um ativo estratégico. Para isso, no entanto, é necessário olhar para os pontos fracos do setor, como os fertilizantes. O potássio é um dos minerais que aumentam a produção doméstica. Chama atenção, ainda, a instabilidade que paira sobre o setor que atinge diretamente o Brasil. São poucos países e empresas produtoras desses insumos, que trafegam por rotas extremamente sensíveis. Se acontece algo nesses países exportadores, as margens de fertilizantes apertam, a safra cai, a capacidade produtiva diminui e os contratos ficam erráticos. Muito mais do que já foi construído pode ser dilapidado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.