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14/Nov/2025

Bioinsumos: Vittia divulga resultado do 3º trimestre

A Vittia registrou lucro líquido ajustado de R$ 51,3 milhões no terceiro trimestre de 2025, crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período de 2024. A receita líquida subiu 5%, para R$ 325 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 0,4%, para R$ 83,5 milhões. Os números vieram em um período marcado por atrasos na comercialização de defensivos agrícolas no País. No acumulado de nove meses, porém, a companhia teve resultados mais fracos. O lucro ajustado somou R$ 28,2 milhões, queda anual de 2,7%, enquanto o Ebitda ajustado recuou 3,3%, para R$ 69,6 milhões. A receita líquida acumulada foi de R$ 561,8 milhões, alta de 5,8%. A geração de caixa operacional foi destaque no trimestre, com expansão de 130,1%. No acumulado do ano, o indicador somou R$ 105,9 milhões, avanço de 24,3% na comparação anual. A dívida líquida ficou em R$ 116,3 milhões, com alavancagem de 0,89 vez o Ebitda ajustado. "Mesmo diante de um ciclo complexo, marcado por um dos maiores atrasos na comercialização de defensivos da história recente, nossa estratégia se provou acertada", afirmou o CFO da empresa, Alexandre Frizzo.

Por segmento, os fertilizantes de solo puxaram o crescimento, com receita de R$ 106,3 milhões no trimestre, alta de 35,1% ante o terceiro trimestre de 2024. No acumulado do ano, essa linha atingiu R$ 184,6 milhões, avanço de 32,9%. As soluções biológicas e naturais tiveram receita de R$ 108,8 milhões no período, crescimento de 12,6%. Nos nove meses, o segmento somou R$ 182,5 milhões, expansão de 2,7%. Já os fertilizantes foliares e produtos industriais recuaram 18,1% no trimestre, para R$ 109,8 milhões. No acumulado de janeiro a setembro, o segmento totalizou R$ 194,8 milhões, queda de 9,1%. A empresa lançou no período três produtos biológicos: um fungicida e dois bioinseticidas. No acumulado dos nove meses, a Vittia destinou R$ 47,2 milhões entre recompra de ações e pagamento de juros sobre capital próprio. Para o quarto trimestre, a expectativa da companhia é de normalização gradual da comercialização de insumos.

"Seguimos convictos de que nossa estratégia, ancorada na biotecnologia, na diversificação do portfólio e na disciplina financeira, nos posiciona de forma única para capturar a retomada do mercado", informou o CEO da Vittia, Wilson Romanini. O CEO da Vittia, Wilson Romanini, afirmou que o agronegócio brasileiro ainda enfrenta um cenário de crédito restrito e alto endividamento, mesmo com a melhora pontual da liquidez em algumas cadeias. O executivo avaliou que o ambiente continua pressionado por juros elevados e margens estreitas, o que exige disciplina na concessão de crédito e gestão conservadora. “Não terminou ainda, não. Tem muito desafio pela frente. O nível de alavancagem é grande, as taxas de juros estão aí e não há expectativa de queda”, afirmou. A declaração ocorre um dia após o Banco do Brasil divulgar um tombo de 60% no lucro líquido ajustado do terceiro trimestre, para R$ 3,8 bilhões, puxado justamente pela piora da inadimplência no agronegócio e pelo aumento das provisões.

Segundo o executivo, a Vittia tem conseguido atravessar o ciclo adverso com uma estrutura financeira sólida e política de crédito mais rigorosa, iniciada em setembro de 2023. “A gente nunca viu um processo tão longínquo em termos de dificuldade”, disse. Mesmo assim, a companhia encerrou o trimestre com carteira de recebíveis superior à de um ano atrás, resultado de uma base de clientes considerada saudável e adimplente. O CFO da Vittia, Alexandre Del Nero Frizzo, reforçou que a disciplina financeira tem sido um diferencial competitivo. A geração de caixa operacional somou R$ 105,9 milhões nos nove meses de 2025, alta de 24,3% na comparação anual. A alavancagem caiu para 0,89 vez a relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado, e a inadimplência permaneceu controlada. “Estamos em uma posição privilegiada sob o ponto de vista de capitalização. Podemos manter nossos planos sem precisar fazer ajustes para cumprir covenant ou por liquidez”, afirmou Frizzo. Segundo ele, a empresa tem conseguido captar com spreads mais baixos do que nos anos anteriores, reflexo de uma gestão conservadora e de um balanço robusto.

Apesar disso, o executivo reconheceu que o mercado de insumos começa a sentir os efeitos da restrição de crédito. “Tanto a parte da distribuição como as empresas de insumos já começaram a sentir um pouco desse cenário de dificuldade”, disse o CFO. Romanini destacou que o aperto financeiro no campo afeta diretamente as decisões de compra dos produtores, que têm priorizado tecnologias mais baratas e adiado investimentos em fertilizantes foliares e produtos de maior valor agregado. “O produtor quer ver se a lavoura vai desenvolver, se a chuva vai chegar, se vai ter uma boa formação. Ele vai fazer a aplicação no momento certo, mas pode trocar o mix em termos de tecnologia”, afirmou. Romanini disse que a expectativa para 2026 é de retomada gradual, mas com prudência. “Notícias boas virão. A gente produzindo o que vai produzir não vai ficar no mesmo nível de estoque do ano passado. Mas, a Vittia é uma empresa conservadora, e é por isso que vem apresentando resultado, tudo calcado dentro do nosso conservadorismo”, concluiu.

A Vittia registrou impacto extraordinário de R$ 15,6 milhões no terceiro trimestre com o encerramento da unidade de Patos de Minas (MG), voltada à produção de fertilizantes organominerais, e mantém ativo o programa de recompra de ações, com R$ 13,4 milhões já destinados em 2025. As informações foram detalhadas nesta quinta-feira durante a teleconferência de resultados, na qual a companhia também apresentou o avanço da operação no México e reafirmou o compromisso com eficiência operacional e disciplina de capital. O CFO, Alexandre Del Nero Frizzo, explicou que a desmobilização da planta, concluída em setembro, envolveu baixa de ativos imobilizados, benfeitorias em terreno alugado e custos com pessoal e transporte de equipamentos. "Foi um projeto que a gente acreditou, mas acabamos tendo alguns contratempos tanto do ponto de vista de mercado quanto de integração dessa tecnologia no grupo. A decisão foi encerrar a unidade para focar nas linhas mais promissoras", afirmou. A fábrica havia sido adquirida em 2021 por meio da compra da Vitória Fertilizantes e produzia organominerais à base de cama de frango.

Com o fechamento, a empresa manteve a linha de organominerais no portfólio, mas concentrada na tecnologia original à base de turfa, fabricada em Serrana (SP). Frizzo destacou que o movimento faz parte do processo de racionalização iniciado em 2023, quando a empresa adotou medidas de otimização e controle de custos diante do cenário adverso do agronegócio. Desconsiderando o efeito da desmobilização, as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) somaram R$ 128,8 milhões nos nove meses de 2025, o equivalente a 22,9% da receita líquida, queda de 1,8 ponto porcentual em relação ao mesmo período do ano anterior. "O resultado reflete as iniciativas de racionalização e otimização implementadas no exercício anterior, cujos efeitos se mantiveram ao longo de 2025. A companhia segue comprometida com a busca pela eficiência operacional", afirmou. Segundo ele, não há planos de novos cortes estruturais.

"Não temos mais estratégia de redução de despesas e estrutura como tivemos a partir de outubro de 2023 e ao longo de 2024. A expectativa agora é ter um SG&A muito controlado, porém sem reduções", completou. A política de remuneração aos acionistas foi mantida mesmo com o impacto do fechamento da unidade. Nos nove meses de 2025, a Vittia destinou R$ 47,2 milhões entre recompra de ações e pagamento de juros sobre capital próprio. O quarto programa de recompra foi encerrado no período, com a aquisição de R$ 13,4 milhões em papéis e o cancelamento de 3 milhões de ações mantidas em tesouraria. O quinto programa, já em vigor, prevê a recompra de até 4,5 milhões de ações ordinárias, equivalentes a 9,5% do total em circulação. "A recompra não é a estratégia que gostaríamos de fazer, porém, dada a diferença entre o valor das nossas ações e o nosso valor intrínseco, nos sentimos na obrigação de fazer esse investimento, que acaba sendo a melhor alocação para os acionistas atuais", afirmou Frizzo.

O executivo garantiu que a estratégia será executada de forma gradual, sem impacto na liquidez ou na formação de preços. As ações da Vittia (VITT3) acumulam desvalorização de 35,8% no ano, enquanto o Ibovespa avança 32,1% no mesmo período, e o valor de mercado da companhia está em aproximadamente R$ 730 milhões. O diretor de marketing, Edgar Zanotto, destacou ainda o avanço da operação no México, que vinha sendo estruturada desde 2023. Segundo ele, a subsidiária já conta com 12 registros ativos e iniciará a comercialização efetiva ainda no fim de 2025, com expectativa de contribuição mais expressiva em 2026. "A gente tem uma boa expectativa com as parcerias para o ano que vem. O México é um projeto vencedor", disse. O CEO Wilson Romanini acrescentou que o processo de registro de produtos biológicos avança no país e deve permitir o lançamento de novas formulações nos próximos meses. "Acreditamos que em seis meses teremos isso também na prateleira. É um projeto que a gente vê como vencedor", afirmou. Fonte: Broadcast Agro.