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13/Nov/2025

Fertilizantes: Galvani investe na produção na Bahia

A fabricante de fertilizantes fosfatados Galvani, quarta maior do setor no Brasil, anunciou investimentos de R$ 1,1 bilhão até 2027 para desenvolver uma mina e duplicar a sua capacidade industrial, elevando a produção a 1,3 milhão de toneladas por ano em 2028. Com o salto, sairá do quarto para o terceiro lugar entre as maiores indústrias de fosfatados no Brasil. A unidade industrial que receberá investimentos, de R$ 500 milhões, fica no município de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. A maior parte dos recursos vai para a compra de equipamentos industriais. O desenvolvimento, em parceria da CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral), de uma mina em Irecê, no Vale do São Francisco, no centro-oeste baiano, receberá R$ 600 milhões. O empreendimento deverá produzir 350 mil toneladas/ano de concentrado fosfático e 600 mil toneladas/ano de corretivo agrícola (calcário) a partir do segundo semestre de 2026. A produção da mina será 100% direcionada para a fábrica de Luís Eduardo Magalhães. É um processo verticalizado e integrado: sai da mineração, faz o concentrado e, depois, os fertilizantes.

A nova mina está com 60% das obras prontas. O empreendimento é resultado de uma parceria com a estatal Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). Os fosfatados são essenciais para o desenvolvimento de variadas lavouras, mas o Brasil produz apenas entre 20% e 30% do que consome. Os maiores produtores no país são a Mosaic Fertilizantes, CMOC International, Yara Brasil e Itafós. Líder em seu segmento no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a Galvani pretende aumentar seu market share na região de 25% para 50% e atingir o norte de Goiás. Os cultivos são soja, milho e algodão. A expansão da Galvani se apoia em condições de financiamento favoráveis. Em torno de 40% do investimento está sendo financiado pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), com aproximadamente metade dos juros de mercado, porque os projetos têm componente de inovação: a mineração será sem barragem de rejeitos e o seu coproduto será corretivo agrícola, que será comercializado.

Além disso, a empresa fez um convênio com o governo do Estado para doar 10 mil toneladas por ano para a agricultura familiar. A companhia está aproveitando uma janela de oportunidade com as modificações na tributação do setor. Até 1997, o Brasil tinha 50% de capacidade de produção nacional de fosfatados. Hoje, tem só 13%. O declínio se deu devido ao Convênio 100/97, estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reduziu a base de cálculo ou concedeu isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para diversos insumos agropecuários. Daí que para importar fertilizante a alíquota era 0%; e para produzir no Brasil e mandar para outro Estado se pagava 8,4% de ICMS. A distorção ficou até 2021, então houve período de alíquota de 4%; e a isonomia entre o importado e o nacional só foi conquistada em 2025. O setor está agora sob a égide do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que traz o foco do governo no aumento da produção brasileira e ajuda a destravar investimentos e tem como meta retomar a participação de 50% da produção nacional de fertilizantes. Fonte: Broadcast Agro Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.