11/Nov/2025
O Citi avalia que o preço de R$ 11,00 por ação oferecido pela norte-americana Grain & Protein Technologies (GPT) para comprar a Kepler Weber 'é baixo', considerando a aquisição do controle da líder de silos na América Latina. O múltiplo implícito é de cerca de 8 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), patamar próximo ao limite inferior de transações recentes no setor. A leitura explica a reação negativa do mercado nesta segunda-feira (10/11). O banco mantém recomendação neutra e classificação de alto risco para a ação da companhia, com preço-alvo de R$ 10,00. Na sexta-feira (07/11), a ação fechou a R$ 10,48 (potencial de queda de 4,6%). O valor de mercado é de R$ 1,883 bilhão.
O preço de R$ 11,00 por ação oferecido pela GPT corresponde a um prêmio de 48,3% sobre a média ponderada dos papéis da Kepler Weber nos últimos 60 dias até 16 de outubro, data em que a companhia norte-americana obteve exclusividade de 90 dias para negociar o acordo. Pelos termos divulgados, a Kepler Weber poderá pagar dividendos dentro da política atual, de até 47,5% do lucro líquido anual, durante os primeiros 90 dias após a assinatura dos documentos definitivos, sem impacto sobre o valor ofertado. O Citi estima que essa distribuição possa somar cerca de R$ 40 milhões em 2025, com rendimento de aproximadamente 2%. A partir do 91º dia até o fechamento da operação, ou até 180 dias após a assinatura dos documentos, o preço de R$ 11,00 por ação será ajustado para baixo pelos dividendos pagos e corrigido pela variação da taxa CDI.
O Citi calcula seu preço-alvo para 2026 com base em fluxo de caixa descontado, considerando WACC de 16%, crescimento de longo prazo de 5,5% e beta de 1,15. O banco aponta riscos ligados à volatilidade do agronegócio, à variação dos preços de grãos e aço, à baixa liquidez das ações e à disponibilidade de crédito rural. A GPT, controlada pela A-AG Holdco Limited e pelo fundo AIP (American Industrial Partners), é dona da marca GSI e atua no mercado brasileiro de armazenagem. As companhias seguem em diligência confirmatória e na negociação dos contratos finais. Até o momento, não há acordo vinculante, apenas o compromisso de exclusividade firmado em 16 de outubro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.