19/Oct/2026
A moagem global de cacau superou 900 mil toneladas no terceiro trimestre de 2026, acima das expectativas do mercado e em nível próximo ao registrado no mesmo período de 2024. O processamento nas regiões acompanhadas pela StoneX foi estimado em aproximadamente 903 mil toneladas, aumento de 14,3% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O volume superou o intervalo projetado pelos analistas, de 805 mil a 875 mil toneladas, e indica uma retomada do processamento em direção aos níveis históricos, após 2025 aparentemente ter marcado o ponto mais baixo do ciclo. Na Europa, a moagem alcançou 348.215 toneladas no terceiro trimestre de 2026, alta de 3,22% ante as 337.353 toneladas registradas em igual período de 2025, conforme dados da Associação Europeia do Cacau. O resultado ficou acima do teto das estimativas do mercado, de 337 mil toneladas, e representou a primeira elevação na comparação anual desde o segundo trimestre de 2024.
Na Ásia, o processamento aumentou 29,22% na comparação anual, para 233.767 toneladas, ante 180.913 toneladas no terceiro trimestre de 2025, segundo a Associação de Cacau da Ásia. O volume foi recorde para um terceiro trimestre na série histórica e superou o limite superior das projeções do mercado, de 229 mil toneladas. Na América do Norte, a moagem recuou 2,49% no terceiro trimestre, para 109.978 toneladas. O resultado ficou dentro do intervalo de expectativas, entre 108 mil e 118 mil toneladas. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, a moagem totalizou 157,4 mil toneladas no terceiro trimestre, alta de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O volume ficou dentro da faixa projetada pelo mercado, de 146 mil a 162 mil toneladas. Os dados são divulgados mensalmente pela Gepex, com base nas informações das seis maiores processadoras do país. Apesar do avanço expressivo, o resultado partiu de uma base de comparação reduzida e permaneceu cerca de 4% abaixo da média dos últimos quatro anos e 9% inferior ao registrado em 2024.
Em conjunto, a Ásia e a Costa do Marfim responderam por aproximadamente 87% do crescimento anual da moagem global. Parte do avanço, entretanto, pode estar relacionada à recomposição dos estoques das processadoras, que aproveitaram a maior disponibilidade de amêndoas e os preços mais baixos observados no início do ano. A StoneX ainda não identifica sinais claros de recuperação consistente da demanda por manteiga e líquor de cacau. A continuidade da expansão do processamento dependerá, portanto, da evolução dos preços e do consumo de derivados. No Brasil, os recebimentos de amêndoas pelas indústrias alcançaram 71,7 mil toneladas no terceiro trimestre, o maior volume para o período desde o início da série histórica, em 2023, conforme dados da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC). Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, as entregas totalizaram 226,5 mil toneladas, crescimento de 25%.
A moagem brasileira avançou em ritmo inferior ao dos recebimentos, somando 53,7 mil toneladas no terceiro trimestre, alta anual de 16,4%. O resultado ficou próximo do limite superior das estimativas do mercado, que variavam entre 46 mil e 55 mil toneladas. As exportações de derivados contribuíram para sustentar o processamento, embora o volume ainda tenha ficado 3% abaixo do registrado em 2024 e cerca de 10% inferior à média dos últimos três anos. Tradicionalmente dependente de importações de amêndoas para abastecer a indústria, o Brasil não registrou compras externas pelo segundo trimestre consecutivo. A maior disponibilidade doméstica de matéria-prima em relação à capacidade de processamento tende a pressionar os diferenciais pagos aos produtores. A conversão dessa oferta em maior volume de moagem dependerá de uma recuperação mais consistente da demanda por derivados de cacau. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.