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15/Oct/2026

Laranja: safra da Flórida deve recuar em 2026/2027

Segundo o Itaú BBA, a primeira estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27 de laranja na Flórida, correspondente à temporada 2027/28 no Brasil, indica produção de 10 milhões de caixas de 40,8 Kg, recuo de 23% em relação ao ciclo anterior. A projeção reflete a continuidade dos desafios enfrentados pela citricultura do Estado norte-americano, que acumula impactos de eventos climáticos adversos e perda de potencial produtivo dos pomares ao longo dos últimos anos. A redução da produção está associada também à retração estrutural da área citrícola. Em 2026, a área produtiva recuou 24%, de 67,7 mil hectares para 51,3 mil hectares. Em relação a 2015, quando a Flórida contava com 164 mil hectares em produção, a redução acumulada chega a 69%.

A área total destinada à cultura da laranja diminuiu 22%, para 58,1 mil hectares, enquanto os novos plantios somaram 2,1 mil hectares, volume insuficiente para compensar a retirada de áreas. Além da redução do número de árvores produtivas, os pomares apresentam sinais de menor desempenho, com carga reduzida de frutos, tamanho abaixo da média histórica e taxas elevadas de queda. Entre as variedades, a produção de laranjas precoces e de meia estação deve alcançar 3 milhões de caixas de 40,8 Kg, queda de 37%. Para a variedade Valência, a estimativa é de 7 milhões de caixas de 40,8 Kg, recuo de 14%. O desempenho é atribuído aos efeitos da geada registrada em janeiro e à persistência do greening, doença que compromete a produtividade dos pomares.

A combinação de menor área cultivada e redução do potencial produtivo indica perspectiva de recuperação gradual da oferta na Flórida. Enquanto a produção permanecer próxima dos níveis atuais, a indústria norte-americana deverá manter a dependência de suco importado para complementar o abastecimento, reforçando a posição estratégica do Brasil como fornecedor do mercado dos Estados Unidos. No comércio exterior brasileiro, setembro apresentou recuperação dos embarques de suco de laranja. As exportações somaram 96 mil toneladas em equivalente de suco concentrado congelado (FCOJ), alta de 78% em relação a agosto e maior volume mensal em 23 meses. A receita também avançou 78%, para US$ 217 milhões, enquanto o preço médio permaneceu praticamente estável, em US$ 2.258 por tonelada.

No acumulado do primeiro trimestre da safra 2026/27, as exportações brasileiras alcançaram 225 mil toneladas, aumento de aproximadamente 12% ante igual período da temporada anterior. Apesar do crescimento dos volumes, a receita recuou cerca de 32%, para US$ 530 milhões, refletindo preços inferiores aos observados no início da safra passada. O comportamento evidencia que a recuperação dos embarques ainda não se traduziu em aumento proporcional do faturamento. No mercado internacional, os preços do suco de laranja voltaram a subir nas últimas semanas. O contrato de primeiro vencimento do FCOJ na Bolsa de Nova York encerrou 12 de outubro a 151,40 centavos de dólar por libra-peso, valorização de 4,2% em relação a 30 dias antes.

Apesar da alta no vencimento mais próximo, os contratos mais longos permaneceram em torno de 165,00 centavos de dólar por libra-peso, indicando que o mercado ainda considera relativamente confortável a perspectiva de oferta de fruta para a próxima safra brasileira. No mercado doméstico, a laranja destinada à indústria foi negociada a R$ 29,62 por caixa de 40,8 Kg, com queda de 4,9% nos últimos 30 dias. A pressão sobre as cotações está relacionada à qualidade da fruta abaixo do esperado, com parâmetros industriais aquém do ideal, além da demanda ainda limitada por parte das processadoras. O cenário combina restrições estruturais na produção da Flórida, recuperação recente dos embarques brasileiros e preços domésticos pressionados. A redução da oferta norte-americana tende a preservar a importância do Brasil no abastecimento de suco de laranja dos Estados Unidos, enquanto a evolução das cotações internacionais e a demanda das processadoras continuarão determinantes para a remuneração da indústria citrícola brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.