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14/Oct/2026

Cacau: El Niño ameaça oferta e pode elevar preços

O risco de perdas na produção provocadas pelo fenômeno El Niño pode voltar a pressionar os preços internacionais do cacau na safra 2026/27, após a queda das cotações registrada desde o início de 2025. Segundo a StoneX, o balanço global da próxima temporada aponta superávit de apenas 25 mil toneladas, volume reduzido que poderá desaparecer caso problemas climáticos afetem a produção nos principais países produtores. A perspectiva de uma colheita menos robusta do que a anterior amplia a preocupação do mercado com a disponibilidade mundial da amêndoa. A Costa do Marfim, responsável por mais da metade da produção mundial, concentra parte importante dos riscos para a próxima safra. A StoneX estima a produção da safra principal do país em aproximadamente 1,4 milhão de toneladas em 2026/27.

Entretanto, as entregas estão abaixo do esperado após as chuvas intensas registradas em junho, que provocaram perdas nas lavouras e dificuldades no processo de secagem dos frutos. A consultoria projeta que o ritmo de entrega permaneça mais lento pelo menos até dezembro, o que pode restringir a oferta no mercado internacional. No Equador, a expectativa é de uma nova safra recorde, sustentada por investimentos e ganhos de produtividade. O país tem contribuído para compensar perdas em outras regiões produtoras, ajudando a equilibrar a oferta global. Entretanto, as chuvas excessivas registradas em setembro também representam um risco para o desempenho da produção equatoriana.

Uma eventual frustração da colheita reduziria a capacidade de compensação do país e poderia comprometer o pequeno superávit projetado para a temporada 2026/27. A combinação de entregas mais lentas na Costa do Marfim e de incertezas climáticas no Equador torna o balanço mundial do cacau particularmente sensível a perdas adicionais. Com uma margem estimada de apenas 25 mil toneladas entre produção e consumo, qualquer redução relevante na oferta poderá transformar o superávit em déficit, reforçando a pressão sobre as cotações internacionais. A evolução do El Niño e o desempenho das colheitas nos principais países produtores serão determinantes para a disponibilidade global e a trajetória dos preços ao longo da próxima temporada. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.