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14/Oct/2026

Maçã: RS amplia exportações para União Europeia

As exportações de maçã do Rio Grande do Sul para a União Europeia cresceram 70% em valor e volume em 2026, impulsionadas principalmente pela recuperação da produção brasileira após quatro anos de safras menores. A retirada de tarifas de importação prevista no acordo entre União Europeia e Mercosul também contribuiu para ampliar a competitividade da fruta brasileira no mercado europeu. Até agosto, os embarques do Estado para o bloco, excluídos Reino Unido e Rússia, somaram US$ 7,658 milhões e 7.460 toneladas. No conjunto do mercado europeu, incluindo os demais destinos considerados no levantamento, o Brasil ampliou as exportações de maçã em 111% em receita e 104% em volume em relação a 2025.

O faturamento alcançou US$ 15,832 milhões, ante US$ 7,5 milhões no ano anterior, enquanto o volume embarcado aumentou de 7,3 mil para 14,940 mil toneladas. O Rio Grande do Sul respondeu por 59,54% da receita brasileira com esses embarques, equivalente a US$ 9,427 milhões, e por 61,31% do volume, com 9.161 toneladas. Em 2025, a participação gaúcha havia sido ainda maior, alcançando 83% do volume e 85% do faturamento, com aumentos superiores a 100% em relação a 2024. Especificamente para a União Europeia, sem Reino Unido e Rússia, o Estado ampliou em 70% tanto a receita quanto o volume exportado. O acordo comercial firmado entre União Europeia e Mercosul no início de 2026 contribuiu para melhorar as condições de acesso ao mercado europeu, com a retirada de impostos de importação que, em média, eram de 10%.

Apesar do benefício tarifário, a recuperação da safra brasileira foi apontada como o principal fator para o avanço dos embarques, após quatro anos de produção reduzida. Os números consolidados até agosto não devem apresentar alterações até o fim de 2026, uma vez que a temporada brasileira de exportações já foi encerrada e os produtores europeus estão colhendo a safra local. Para 2027, as perspectivas são favoráveis à ampliação das vendas brasileiras, diante da expectativa de quebra de produção na Europa para a variedade Gala, principal cultivar produzida no Brasil, e da previsão inicial de uma boa safra nacional. O desempenho do próximo ciclo, contudo, dependerá das condições climáticas durante o desenvolvimento dos pomares.

As chuvas previstas para outubro e novembro geram preocupação no setor, pois poderão influenciar o volume efetivamente colhido no Brasil. A confirmação de uma safra elevada, combinada à menor disponibilidade europeia da variedade Gala, poderá ampliar as oportunidades comerciais para os produtores brasileiros. As exigências fitossanitárias europeias permanecem rigorosas, especialmente em relação aos limites de resíduos de defensivos nas frutas importadas. A menor incidência de pragas associada ao clima menos chuvoso em países europeus permite, em determinadas condições, menor frequência de tratamentos nos pomares locais, enquanto a produção brasileira enfrenta maior pressão fitossanitária.

O cumprimento dos limites estabelecidos pelo bloco continua sendo um desafio para os fruticultores e uma condição essencial para a manutenção do acesso ao mercado. Em termos gerais, as exportações brasileiras de maçã em 2026 foram quase cinco vezes superiores às do ano anterior e ficaram 350% acima da média dos últimos quatro anos, conforme os dados apresentados pela Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi). O desempenho remete à safra de 2021, quando a produção nacional alcançou um patamar elevado e os embarques chegaram a 100 mil toneladas, com receita de US$ 73 milhões. Naquele ano, o Rio Grande do Sul respondeu por 82% do volume exportado. Em 2026, o Brasil exportou cerca de 50 mil toneladas de maçã, das quais os produtores gaúchos foram responsáveis por 76%.

O setor considera que poderia ter embarcado volumes maiores, inclusive para contribuir com o equilíbrio dos preços no mercado interno. Entretanto, o atraso na colheita e os efeitos da guerra no Oriente Médio limitaram as operações de exportação. A distribuição geográfica das vendas externas também evidencia a importância dos mercados asiático e do Oriente Médio. Índia, Bangladesh e Arábia Saudita concentram aproximadamente 70% dos embarques brasileiros. Para a próxima safra, o setor trabalha com a possibilidade de dobrar o volume exportado em relação a 2026. O Rio Grande do Sul, responsável por 48% da produção brasileira de maçãs, deverá desempenhar papel central nessa expansão, condicionada à confirmação da oferta nacional, às condições climáticas e à capacidade de atender às exigências fitossanitárias dos mercados compradores. Fonte: Correio do Povo. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.