07/Oct/2026
Segundo dados da Associação Nacional de Exportadores e Industriais de Cacau do Equador (Anecacao), o setor cacaueiro do Equador atravessa 2026 com menor disponibilidade de produto e forte retração da receita de exportação. Entre janeiro e julho, o país embarcou 263.137 toneladas de cacau e derivados, ante 287.010 toneladas no mesmo período de 2025. A redução foi de 23.873 toneladas, equivalente a 8,3%. A retração financeira foi significativamente maior que a queda no volume exportado. As exportações de cacau e derivados somaram US$ 1,196 bilhão até julho, recuo de 54,6% ante o mesmo intervalo de 2025. A diferença entre a redução física dos embarques e a queda da receita evidencia o impacto da correção dos preços internacionais sobre o faturamento do setor. Os dados correspondem ao acumulado do ano civil entre janeiro e julho e não representam o fechamento integral da safra. Dessa forma, permitem comparar o fluxo de exportações com o registrado em 2025, mas ainda não determinam o resultado final da produção equatoriana em 2026.
Durante a feira Chokao, realizada em agosto, a Anecacao indicou que a produção entre seus associados havia recuado aproximadamente 7% no primeiro semestre, o equivalente a cerca de 15 mil toneladas. A redução foi relacionada às oscilações de temperatura, à incidência de monilíase e ao comportamento produtivo das plantas após períodos de colheitas elevadas. A estimativa, contudo, considera apenas os integrantes da associação e não constitui um balanço definitivo da produção nacional. O cenário climático acrescenta riscos para o restante da temporada. No Equador, o El Niño tende a favorecer o excesso de chuva, aumentando a possibilidade de alagamentos, ocorrência de doenças e dificuldades nas operações de colheita e secagem do cacau. Os produtores já adotam medidas preventivas diante do risco de inundações, mas a dimensão dos impactos dependerá da intensidade e da distribuição das chuvas ao longo dos próximos meses. Apesar da retração observada no início do ano, a Anecacao indicou em agosto uma expectativa de produção próxima de 600 mil toneladas de cacau em 2026.
A estimativa ainda dependerá do desempenho das próximas colheitas e da evolução das condições climáticas, especialmente diante dos riscos associados ao El Niño e à incidência de doenças. Para o mercado internacional, a combinação de menores embarques e riscos climáticos no Equador reduz a capacidade de oferta dessa origem para compensar eventuais dificuldades produtivas em outros países. Uma recuperação limitada da produção equatoriana pode contribuir para manter maior sensibilidade do mercado global às condições de oferta nos principais produtores. A forte redução da receita de exportação também representa um fator de atenção para a cadeia produtiva. Menor disponibilidade financeira pode limitar recursos destinados à manutenção das lavouras, ao controle fitossanitário e aos investimentos em produtividade. Nesse contexto, a evolução das colheitas, o controle da monilíase e a capacidade de resposta dos produtores às condições climáticas serão fatores determinantes para a oferta equatoriana no próximo ciclo. Fonte: Mercado do Cacau. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.