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05/Oct/2026

Cacau: Brasil eleva produção e potencial exportável

A produção brasileira de cacau entra em uma nova fase de recuperação, com aumento da produtividade, expansão de áreas tecnificadas e perspectivas de maior inserção no mercado internacional de amêndoas e derivados. Para a safra 2026/27, a StoneX projeta produção nacional entre 210 mil toneladas e 215 mil toneladas, consolidando a recuperação das lavouras após a quebra provocada pela seca de 2023/24. O avanço é sustentado principalmente pelo aumento da produtividade no Pará e pela expansão de novos polos de produção tecnificada no oeste da Bahia. A maior disponibilidade de cacau no mercado doméstico já se refletiu no abastecimento das indústrias processadoras. No primeiro semestre de 2026, o recebimento de cacau brasileiro pelas empresas associadas à Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) alcançou 95,1 mil toneladas, alta de 63,4% ante o mesmo período de 2025 e volume próximo ao registrado antes da crise, de 93,3 mil toneladas no primeiro semestre de 2023. A Bahia respondeu por 56,8% do recebimento e o Pará por 38,8%.

Com a recuperação da oferta interna, as importações de amêndoas recuaram 57,1% no primeiro semestre, para 18,1 mil toneladas. No segundo trimestre, não houve registro de desembarque de cacau em grão, situação inédita nos últimos quatro anos. A forte alta dos recebimentos nacionais, entretanto, ocorre sobre uma base de comparação excepcionalmente baixa em 2025, período em que a oferta brasileira ainda refletia os efeitos de dois anos de produção mais fraca. Dessa forma, o crescimento observado representa principalmente a normalização do abastecimento após a crise, e não necessariamente uma expansão sustentável superior a 60% em apenas um ano. A produção brasileira passa por uma transformação dos sistemas produtivos, com diferenças significativas entre as principais regiões produtoras. No Pará, a cacauicultura apresenta elevada produtividade média em sistemas de pleno sol e agroflorestais, com resultados superiores a 940 kg por hectare e novos pomares alcançando até 2 toneladas por hectare.

No sul da Bahia, o sistema tradicional de cabruca apresenta potencial de recuperação por meio da reabilitação de áreas antigas, do manejo fitossanitário e do adensamento das plantas. A produtividade média atual, próxima de 250 kg por hectare, poderá ser elevada com a adoção dessas práticas. No oeste da Bahia, grandes grupos agrícolas vêm adotando sistemas irrigados e de alta densidade, com até 1.600 árvores por hectare, ante cerca de 300 árvores no modelo convencional. Nesses projetos, o potencial produtivo supera 3 toneladas por hectare. A expansão da infraestrutura técnica, o aumento da área plantada e os investimentos realizados após o período de preços elevados do cacau fortalecem a perspectiva de recuperação da produção brasileira. A continuidade desse movimento é considerada pela StoneX na projeção de 210 mil a 215 mil toneladas para a safra 2026/27, considerando a melhora das condições produtivas, a expansão da área cultivada e a maior participação de regiões com sistemas tecnificados. As perspectivas, contudo, estão sujeitas aos riscos climáticos associados ao El Niño.

O avanço do fenômeno sobre o território brasileiro aumenta a possibilidade de períodos de estiagem na faixa centro-norte do País. No sul da Bahia, produtores relatam que as chuvas, após um primeiro trimestre de 2026 mais úmido, diminuíram de forma significativa a partir de abril, afetando o florescimento e a fixação do bilro da safra principal, cuja colheita começa em outubro. No Pará, os pomares apresentaram maior resistência às condições adversas, mas a redução da umidade no segundo semestre pode limitar o potencial produtivo de novas áreas. A exposição ao clima também varia de acordo com o sistema de cultivo. No sul da Bahia, uma intensificação da estiagem poderia agravar o estresse já observado nas lavouras. No Pará, o padrão mais seco associado ao El Niño também representa risco. No oeste baiano, os sistemas irrigados reduzem a dependência direta das chuvas, mas aumentam a importância da disponibilidade hídrica dos mananciais, da infraestrutura de irrigação e dos custos de energia. A expansão da produção também coloca desafios logísticos e operacionais para o Brasil.

O aumento da oferta doméstica poderá exigir alternativas de escoamento além do mercado interno, criando condições para ampliar as exportações. Para avançar nesse processo, a cadeia precisa elevar a padronização da qualidade e fortalecer a integração entre produtores, cooperativas e compradores internacionais. O Brasil reúne disponibilidade de áreas, conhecimento técnico, expansão recente da produção e capacidade de desenvolvimento de sistemas de cultivo mais tecnificados. A cadeia também apresenta potencial para ampliar a oferta com rastreabilidade e certificação, atributos que podem contribuir para a abertura de novos mercados. A estruturação de mecanismos de comercialização e a maior organização da cadeia serão relevantes para transformar o aumento da produção em maior participação brasileira no comércio internacional de cacau. A safra 2026/27 reforça, portanto, a recuperação da produção brasileira e amplia o potencial de inserção do País no mercado global. A evolução do setor nos próximos cinco anos dependerá da manutenção de preços internacionais em níveis que preservem a rentabilidade da atividade, favorecendo investimentos na recuperação dos cacauais tradicionais e a continuidade dos aportes em projetos irrigados e de maior escala. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.