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02/Oct/2026

Suco de Laranja: preços recuam com fraca demanda

O mercado de suco de laranja atravessa o fim de um ciclo de oferta restrita. Os preços da matéria-prima recuaram fortemente após atingirem níveis recordes, mas a queda ainda não foi repassada ao consumidor final, limitando uma recuperação da demanda pela bebida. O movimento ocorre após cinco safras consecutivas de laranja abaixo da média no Brasil, maior produtor e exportador mundial. A produção caiu de 386,79 milhões de caixas de 40,8 Kg em 2019/20 para 230,87 milhões de caixas de 40,8 Kg em 2024/25, reduzindo os estoques da indústria ao menor nível recente em 2023. Nesse período, a cotação na Bolsa de Nova York atingiu o pico de US$ 5,10 por libra-peso em dezembro de 2024. O forte aumento dos preços acelerou a retração do consumo.

No varejo dos Estados Unidos, principal mercado consumidor, o volume vendido recuou 7,2% nas 52 semanas até agosto de 2026, enquanto o preço médio subiu 9,3%, segundo dados da Nielsen compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), entidade que representa a indústria brasileira. Com a demanda global enfraquecida, a produção nacional da safra 2025/26 avançou para 292,94 milhões de caixas, segundo levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), volume suficiente para recompor os estoques e gerar novamente excedente de suco no mercado. Como consequência, a cotação na Bolsa de Nova York recuou quase 80% em relação ao pico e encerrou agosto de 2026 em US$ 1,49 por libra-peso, abaixo da média registrada em 2022.

Apesar da forte queda da commodity, o movimento ainda não chegou às gôndolas dos supermercados. Nos últimos 12 meses, a cotação média em Nova York caiu 51%, enquanto o preço médio do suco de laranja no varejo norte-americano aumentou 11%, segundo dados da Nielsen. A manutenção dos preços elevados na ponta limita a reação do consumo e contribui para a formação de estoques. Relatórios do Itaú BBA, Rabobank e Juice Market apontam os estoques como principal fator de formação dos preços atualmente e indicam que parcela relevante do ajuste de custos permaneceu retida em outras etapas da cadeia, especialmente entre envasadores e varejistas. A combinação de demanda lenta e preços elevados no varejo tende a manter os estoques acumulados.

A cadeia produtiva também enfrenta aumento dos custos de produção. A guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, desorganizaram os mercados globais de fertilizantes e petróleo, elevando os custos no campo. No mercado doméstico, a taxa básica de juros Selic permanece em nível elevado, apesar do recente movimento de queda, pressionando as condições financeiras do setor. Em um mercado com alternativas de bebidas, envasadores e varejistas conseguem ajustar suas operações às condições de demanda, enquanto produtores e indústrias de processamento permanecem mais expostos ao ciclo de investimentos e à necessidade de manutenção da oferta e da capacidade industrial.

Nesse contexto, a cadeia de laranja passou de um cenário de escassez de oferta para um ambiente de demanda mais fraca, com a decisão de compra concentrada no consumidor final. O Rabobank projeta que os estoques globais de suco atinjam o maior nível em sete anos. No mercado externo, a retração das compras europeias alterou a composição dos destinos e consolidou os Estados Unidos, em 2025/26, como principal mercado para o suco brasileiro. A dependência norte-americana do produto brasileiro aumentou em razão da baixa produção da Flórida, que continua sem perspectiva de recuperação consistente, com pomares afetados pelo greening, entre outros fatores. Diante do enfraquecimento da demanda, a CitrusBR negocia com o governo federal a redução de barreiras tarifárias em mercados asiáticos.

A estratégia é ampliar o acesso do suco brasileiro a países como Japão e Coreia do Sul, onde o produto perdeu espaço para concorrentes beneficiados por acordos de livre comércio. O setor busca tarifa zero nesses mercados. O Japão, que já foi um importante consumidor de suco de laranja brasileiro, reduziu sua participação, enquanto a Coreia do Sul também diminuiu as compras do Brasil após acordos de livre comércio com a União Europeia e os Estados Unidos favorecerem fornecedores concorrentes. A agenda comercial inclui ainda o Mercosul, a China e a Índia. Na China, o setor busca equalizar a alíquota de importação em 7,5%. Na Índia, a tarifa de 30%, somada aos impostos internos, é considerada um obstáculo à entrada do produto brasileiro. A redução das barreiras tarifárias é tratada pela indústria como uma alternativa para ampliar mercados e compensar a retração do consumo nos mercados tradicionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.