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01/Oct/2026

Tomate: Brasil processa 1,5 milhão de toneladas/ano

O Brasil possui uma cadeia de tomate industrial com capacidade de processamento superior a 1 milhão de toneladas por ano, mas ainda depende de importações para complementar a oferta de derivados. Em 2024, o saldo comercial brasileiro de pasta de tomate apresentou déficit de aproximadamente 33 mil toneladas, segundo levantamento da Tomato News com dados de comércio exterior e do World Processing Tomato Council (WPTC). Entre janeiro e novembro de 2025, o déficit alcançou 32,7 mil toneladas, volume 4% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Entre 2022 e 2024, as importações de pasta de tomate responderam por 58% do déficit comercial brasileiro de derivados de tomate. Estados Unidos, Chile e, em menor escala, Peru, Argentina, Egito e China estão entre os fornecedores do mercado brasileiro.

A dependência externa ocorre apesar da produção doméstica relevante. O Brasil processou 1,65 milhão de toneladas de tomate em 2024 e 1,437 milhão de toneladas em 2025, conforme dados do WPTC. Na média dos últimos cinco anos, o processamento nacional ficou próximo de 1,5 milhão de toneladas por ano. A maior parte da produção é destinada ao mercado interno, enquanto o comércio exterior permanece deficitário em derivados, especialmente em pasta de tomate. A ampliação da oferta doméstica pode ocorrer por meio do aumento da produtividade nas áreas já cultivadas, sem necessidade de expansão proporcional da área. Em Goiás, a Kraft Heinz trabalha com aproximadamente 2.500 hectares de tomate cultivados por produtores parceiros e projeta crescimento de 15% na produção em 2026, mantendo praticamente a mesma área plantada.

O avanço está associado ao aumento da eficiência produtiva, com desenvolvimento da base de produtores, seleção de sementes e híbridos, fornecimento de insumos e acompanhamento técnico das lavouras desde o preparo do solo até a colheita. A cadeia brasileira de tomate industrial apresenta elevado nível de tecnificação, com produtividade média nos últimos anos entre 80 e 90 toneladas por hectare, embora os resultados variem conforme as condições climáticas de cada safra. As condições climáticas continuam sendo um fator relevante para a produção. Em 2026, o WPTC reduziu a projeção para o Brasil para cerca de 1,35 milhão de toneladas após problemas provocados pelo excesso de chuvas em áreas produtoras de Goiás e São Paulo. O aumento da produção doméstica também permitiu à Kraft Heinz reduzir a dependência de matéria-prima importada.

Até poucos anos atrás, parte da pasta de tomate utilizada pela operação brasileira era importada da Califórnia. Após investimentos na produção agrícola, na estrutura industrial e no desenvolvimento da cadeia de fornecedores, a empresa informou ter alcançado, em 2025, autossuficiência na pasta utilizada na produção do ketchup Heinz destinado ao mercado brasileiro. A mudança foi construída a partir da safra de 2024 e envolveu a atuação da equipe técnica, o desenvolvimento dos produtores parceiros e a incorporação de tecnologias ao longo da cadeia produtiva. A substituição da pasta importada também reduziu a exposição da operação brasileira às oscilações do mercado externo, aos custos adicionais e aos efeitos financeiros associados à aquisição e internalização da matéria-prima. O avanço de uma operação específica, entretanto, não elimina a dependência externa do mercado brasileiro.

Em 2024, o déficit comercial do País no conjunto dos derivados de tomate alcançou aproximadamente US$ 68 milhões, alta de 34% ante 2023. O resultado indica que o aumento da eficiência e a substituição de importações em determinadas empresas ainda não foram suficientes para eliminar a necessidade de compras externas. Também há diferenças entre os produtos demandados pelo mercado brasileiro. O consumo nacional é predominantemente direcionado a produtos de menor concentração, enquanto o País continua importando, entre outros itens, pasta com padrões mais elevados de qualidade. Chile, Peru e Estados Unidos estão entre os fornecedores desse segmento. O cenário indica espaço para ampliar a oferta nacional e substituir parte das importações por meio de ganhos de produtividade, desenvolvimento tecnológico e integração entre produtores e indústria. O caso da Kraft Heinz demonstra a possibilidade de reduzir a dependência externa em uma operação específica, enquanto os dados de comércio exterior mostram que o mercado brasileiro de pasta de tomate ainda mantém déficit estrutural. Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.