ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

16/Sep/2026

Cacau: El Niño e Harmatã ameaçam safra global

A consolidação de um El Niño de forte intensidade até pelo menos maio de 2027 amplia os riscos climáticos para a safra 2026/27 de cacau na África Ocidental, principal região produtora mundial. Segundo a StoneX, o início do recebimento de amêndoas na Costa do Marfim e em Gana ocorre em ritmo lento, com as primeiras entregas diárias aos portos 45% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho está associado às chuvas torrenciais observadas em junho, que atrasaram o desenvolvimento inicial das lavouras. O principal risco para os volumes da safra intermediária e para a continuidade dos trabalhos agrícolas está na combinação entre o El Niño e o fenômeno Harmatã, caracterizado pela entrada de massas de ar quente e seco provenientes do Deserto do Saara sobre os países costeiros da África Ocidental entre novembro e março. Estudos históricos indicam que, em anos sob influência do El Niño, o Harmatã tende a atuar de forma mais intensa, reduzindo significativamente os volumes de precipitação no sul da Costa do Marfim e de Gana a partir de novembro.

A menor disponibilidade de chuva poderá agravar o déficit hídrico e limitar o potencial produtivo da região justamente durante uma etapa relevante do desenvolvimento das lavouras. A combinação entre a intensidade prevista do El Niño e a atuação mais severa do Harmatã aumenta a incerteza sobre a oferta da safra intermediária e sobre a capacidade de manutenção do ritmo de colheita e entrega nos principais países produtores. Além das condições climáticas, a comercialização local enfrenta obstáculos relacionados aos ajustes nos preços oficiais pagos aos produtores e às novas exigências de rastreabilidade nas cadeias de suprimento. Esses fatores podem dificultar o fluxo de amêndoas e aumentar a sensibilidade do mercado aos sinais de menor disponibilidade física. A queda de 45% nas primeiras entregas diárias aos portos reforça a necessidade de acompanhamento do ritmo de entrada da safra nas próximas semanas.

Embora o início da temporada possa sofrer efeitos pontuais das condições observadas anteriormente, a possibilidade de agravamento do estresse hídrico a partir de novembro representa um risco adicional para a produção e para a continuidade do abastecimento. O cenário tende a incorporar um prêmio de risco maior às cotações internacionais do cacau. A combinação entre entregas iniciais mais fracas, incertezas sobre a safra intermediária, possibilidade de seca mais intensa na África Ocidental, entraves de comercialização e exigências de rastreabilidade reduz a margem de segurança do mercado global. A evolução das chuvas na Costa do Marfim e em Gana, a intensidade do Harmatã e o ritmo das entregas aos portos serão os principais indicadores para avaliar a confirmação ou não das perdas potenciais. Caso o cenário climático adverso se materialize, a menor oferta da África Ocidental poderá ampliar a volatilidade dos preços internacionais e elevar o prêmio de risco do cacau ao longo da safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.