09/Sep/2026
Um surto de ciclosporíase nos Estados Unidos, associado ao consumo de alface contaminada, ampliou as preocupações sobre a segurança de alimentos importados e evidenciou a redução das inspeções internacionais realizadas pela Food and Drug Administration (FDA). As inspeções da FDA em instalações de alimentos no exterior caíram quase 35% desde 2019, último ano antes da pandemia de Covid-19. No ano fiscal de 2025, as fiscalizações internacionais recuaram 17% ante o ano anterior, para 1.140 visitas. No caso do surto associado à alface, inspetores da FDA levaram cerca de um mês para chegar às instalações da Taylor Farms, em Guanajuato, no México, após o recolhimento do produto anunciado em 17 de julho.
A demora na resposta evidenciou a complexidade do monitoramento de cadeias de produtos frescos, consideradas particularmente suscetíveis à disseminação de agentes contaminantes. A Lei de Modernização da Segurança Alimentar, de 2011, estabelece que a FDA deve inspecionar mais de 19 mil instalações internacionais por ano. O maior número de fiscalizações registrado pela agência, contudo, foi de 1.700 visitas em 2019, menos de um décimo da meta estabelecida pelo Congresso, segundo relatórios do Government Accountability Office (GAO), órgão de controle do Legislativo norte-americano.
A capacidade operacional da FDA também é afetada por limitações de recursos e elevada rotatividade de pessoal. A agência conta com mais de 420 inspetores, mas mantém entre 10% e 15% das vagas abertas, reduzindo sua capacidade de ampliar as fiscalizações internacionais. As inspeções realizadas no exterior, contudo, representam apenas uma das ferramentas utilizadas pelas autoridades norte-americanas para monitorar a segurança dos alimentos importados. O sistema também inclui amostragem de produtos e fiscalização nas fronteiras, mecanismos que complementam as visitas às instalações estrangeiras. Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.