21/Aug/2026
Segundo a Hedgepoint Global Markets, o mercado mundial de cacau deve permanecer superavitário na safra 2026/27, mas com redução significativa da margem entre oferta e demanda, aumentando a sensibilidade das cotações a riscos climáticos e alterações nos fluxos comerciais. A projeção de excedente global é de 111 mil toneladas no próximo ciclo, ante 325 mil toneladas em 2025/26, redução de quase 66%. O aperto do balanço global deve ocorrer com queda de 2% na produção mundial, para 4,685 milhões de toneladas, enquanto a moagem deve crescer aproximadamente 2,5%, para 4,796 milhões de toneladas. A combinação de menor oferta e maior processamento reduz a folga disponível no mercado e amplia a exposição das cotações a eventuais perdas de produção ou interrupções no comércio. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, a Hedgepoint elevou para 1,926 milhão de toneladas a estimativa de produção em 2025/26.
A revisão considera o aumento de 20,8% nas entregas aos portos e a melhora das condições climáticas em relação ao ciclo anterior. Para 2026/27, entretanto, a projeção é de queda da produção para 1,801 milhão de toneladas, em razão de uma taxa de frutificação abaixo da média e dos riscos associados ao El Niño. Em Gana, a produção deve recuar 8%, de 650 mil toneladas em 2025/26 para 595 mil toneladas em 2026/27. A redução está relacionada principalmente às chuvas intensas registradas nas últimas semanas nas regiões produtoras. Para os demais importantes produtores da África Ocidental, a Hedgepoint estima produção de aproximadamente 290 mil toneladas na Nigéria e 285 mil toneladas em Camarões. Fora da África, a produção do Equador é estimada em cerca de 600 mil toneladas tanto em 2025/26 quanto em 2026/27. A projeção considera os investimentos em expansão de área e aumento de produtividade.
Contudo, a estimativa poderá ser revisada para baixo caso as chuvas permaneçam abaixo da média e o El Niño ganhe intensidade. O impacto do El Niño sobre a produção de cacau na África Ocidental não é considerado automático. Os efeitos dependem da interação do fenômeno com sistemas climáticos regionais, como a monção da África Ocidental e o Harmattan, além da intensidade e do período de ocorrência do evento. Dessa forma, não há um padrão único de perdas esperado para as principais origens produtoras. No curto prazo, o superávit global e eventuais ajustes técnicos permanecem como os principais fatores baixistas para as cotações. No médio e longo prazo, entretanto, os riscos de sustentação dos preços incluem os possíveis impactos do El Niño sobre a produção, o comportamento da demanda por cacau, decisões regulatórias nos países produtores e a entrada em vigor do EUDR, regulamento da União Europeia sobre desmatamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.