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13/Aug/2026

Laranja: crise combina custo alto e queda da demanda

O setor citrícola brasileiro atravessa uma crise marcada pela combinação de forte aumento dos custos de produção, dificuldades financeiras dos produtores, redução do consumo e erradicação de pomares. O cenário difere de uma crise convencional de oferta e decorre da convergência entre fatores climáticos, geopolíticos e econômicos que atingem simultaneamente produtores, indústria de processamento e consumidores. Os custos de produção estão entre os principais fatores de pressão sobre a cadeia. A guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, desorganizaram os mercados globais de fertilizantes e petróleo, elevando os custos dos insumos agrícolas e da produção.

No Brasil, a manutenção da Selic em patamar elevado, apesar do recuo recente para 14%, aumenta as despesas financeiras dos produtores e limita a capacidade de investimento e recuperação das margens. Outro fator de pressão é o endividamento do setor rural. A renegociação das dívidas dos produtores rurais deverá representar custo de R$ 139 bilhões para os cofres públicos ao longo dos próximos 13 anos, ampliando o impacto fiscal associado à crise financeira do campo. Pelo lado da demanda, o setor enfrenta uma mudança após o período de preços elevados registrado entre 2022 e 2024. Naquele período, condições climáticas adversas, estoques reduzidos e o avanço do greening contribuíram para restringir a oferta e elevar as cotações da laranja e de seus derivados.

O aumento dos preços chegou ao consumidor e, com a alta superior a 20% do suco nos supermercados, provocou retração do consumo. A redução da demanda ocorre em um mercado com ampla oferta de alternativas de bebidas, permitindo que varejistas e engarrafadores ajustem seus portfólios de acordo com as condições de consumo. Já produtores e indústrias de processamento apresentam menor capacidade de adaptação no curto prazo, devido ao elevado nível de investimentos e ao ciclo produtivo da atividade. A redução da oferta de frutas compromete o processamento e, consequentemente, a disponibilidade de suco no mercado. O setor, portanto, passa de uma fase anterior caracterizada por escassez de oferta, estoques baixos e preços elevados para um cenário de demanda enfraquecida.

A combinação de custos elevados, juros ainda restritivos, endividamento e menor consumo aumenta a pressão sobre as margens e contribui para a erradicação de pomares, inclusive áreas com árvores produtivas e frutos em desenvolvimento. A deterioração das condições econômicas da cadeia evidencia a dependência entre os diferentes elos da citricultura. A redução da base produtiva compromete a oferta futura de matéria-prima para a indústria, enquanto a menor utilização da capacidade de processamento reduz a sustentação da demanda por laranja no campo. Nesse ambiente, a recuperação do setor dependerá da recomposição das margens dos produtores e da indústria e, principalmente, da retomada do consumo de suco de laranja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.