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12/Aug/2026

Cacau ganhando espaço no interior de São Paulo

A cultura do cacau vem ganhando espaço no interior de São Paulo e já está presente em cerca de 120 propriedades rurais, com produtores utilizando novas técnicas de manejo para adaptar a atividade às condições climáticas da região e ampliar as alternativas de geração de renda. Municípios como Álvares Florence estão entre as áreas que passaram a investir no cultivo, tradicionalmente concentrado nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. A expansão da cultura ocorre em um ambiente de busca por diversificação produtiva e aproveitamento de recursos disponíveis nas propriedades. Em uma das áreas produtoras, a matéria orgânica gerada pela pecuária passou a ser utilizada na adubação dos cacaueiros, contribuindo para a melhoria das condições do solo e para a integração entre atividades agropecuárias. O principal desafio para a consolidação do cacau no interior paulista está relacionado às condições climáticas. As altas temperaturas e os ventos exigem ajustes no sistema de produção, especialmente durante os primeiros anos de desenvolvimento das plantas.

Nesse contexto, o cultivo consorciado com outras espécies passou a ser utilizado como mecanismo de proteção dos cacaueiros e de melhoria das condições microclimáticas da lavoura. Entre as estratégias adotadas estão os sistemas consorciados com banana e seringueira, além do uso de feijão-guandu e açaí. O objetivo é proporcionar sombreamento durante a fase inicial de desenvolvimento do cacau, quando as plantas ainda não estão em produção e apresentam maior necessidade de condições climáticas amenas. Conforme os cacaueiros avançam para a fase produtiva, o manejo do sombreamento é ajustado para aumentar a incidência de luz e favorecer a produção. O uso de mudas clonais também integra o processo de expansão da atividade e representa uma estratégia para elevar a uniformidade das lavouras e melhorar o desempenho produtivo. A combinação de material genético, manejo do sombreamento, cultivo consorciado e aproveitamento de matéria orgânica amplia a capacidade dos produtores de adaptar a cultura às características do interior paulista.

O movimento ocorre em um momento de mudanças relevantes no mercado global de cacau. No primeiro semestre de 2026, o recebimento mundial de amêndoas cresceu 63,4% ante igual período de 2025, após dois anos de escassez de matéria-prima. Apesar da recuperação da oferta, a moagem avançou apenas 3,6%, indicando que o aumento da disponibilidade ainda ocorre em um ambiente de consumo mais fraco de derivados de cacau. Entre 2024 e 2025, o mercado global registrou déficit superior a 700 mil toneladas de amêndoas de cacau, levando os preços da commodity na Bolsa de Nova York a superar US$ 12 mil por tonelada, equivalente a aproximadamente R$ 61 mil por tonelada pela cotação utilizada na fonte. A elevação dos preços chegou aos produtos industrializados e contribuiu para a retração do consumo de derivados, como licor, manteiga e pó de cacau. No Brasil, a melhora da oferta permitiu que o País atravessasse o segundo trimestre de 2026 sem necessidade de importar amêndoas de cacau, situação que não ocorria havia quatro anos.

Entretanto, a moagem brasileira cresceu apenas 3,6% ante 2025 e permaneceu abaixo dos níveis anteriores à crise de oferta, reforçando a importância do comportamento da demanda para a formação dos preços e para a rentabilidade da cadeia. Para São Paulo, a expansão da cultura representa uma oportunidade de diversificação, mas a consolidação do cacau dependerá da capacidade dos produtores de administrar custos, produtividade e riscos climáticos. A experiência inicial indica que o desempenho da atividade está diretamente relacionado à escolha do material genético, ao manejo do sombreamento e à utilização de sistemas consorciados capazes de reduzir os efeitos das temperaturas elevadas. A combinação entre condições de mercado, disponibilidade de tecnologia e adaptação das práticas agrícolas tende a determinar o ritmo de expansão da cultura no Estado. A presença do cacau em cerca de 120 propriedades demonstra que a atividade ainda possui escala relativamente restrita, mas o desenvolvimento de sistemas produtivos adaptados ao clima paulista pode ampliar sua participação como alternativa de diversificação no agronegócio regional. Fonte: R7. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.