10/Aug/2026
Segundo o Itaú BBA, a perspectiva de menor produção de laranja no cinturão citrícola de São Paulo, Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais não deve resultar em recuperação expressiva das cotações no início da temporada 2026/27. A recomposição dos estoques industriais após a safra anterior reduziu a urgência de compra por parte das indústrias e limita a reação dos preços. O cenário externo também contribui para o comportamento mais fraco do mercado. As compras da União Europeia recuaram, com os embarques brasileiros ao bloco somando 369 mil toneladas, queda de 5,8% ante 2024/25. Nos Estados Unidos, por outro lado, as importações aumentaram diante da persistente escassez de laranja na Flórida, cuja produção permanece em nível historicamente baixo, em torno de 13 milhões de caixas de 40,8 Kg.
A menor oferta norte-americana está relacionada a fatores como greening, furacões e redução da área cultivada, elevando a dependência dos Estados Unidos do produto brasileiro. A laranja e seus derivados permaneceram entre os produtos priorizados em isenções tarifárias em 2025 e em novas tarifas em 2026. Na temporada 2025/26, apesar do aumento expressivo da produção brasileira ante 2024/25, as exportações avançaram apenas 3,7%, para 805 mil toneladas em equivalente FCOJ (suco concentrado e congelado), com receita de US$ 2,54 bilhões. O crescimento foi considerado modesto diante da expansão de 27% da safra no período. A combinação de estoques industriais mais elevados e demanda internacional menos intensa pressionou as cotações.
A laranja destinada à indústria recuou 30% em um ano, para R$ 30,57 por caixa de 40,8 Kg no mercado spot em 3 de agosto, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na Bolsa de Nova York, o suco de laranja negociado em bolsa acumulou queda de 40% no mesmo período, para 154,95 centavos de dólar por libra-peso. Para 2026/27, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) estima produção de aproximadamente 255 milhões de caixas de 40,8 Kg no principal cinturão citrícola do País, abaixo das 295 milhões de caixas de 40,8 Kg do ciclo 2025/26 e do volume de cerca de 300 milhões de caixas de 40,8 Kg considerado adequado pelo mercado. A redução da produção é atribuída principalmente à bienalidade negativa, combinada com condições climáticas menos favoráveis.
Chuvas irregulares, temperaturas elevadas em fases importantes do ciclo e ventos fortes prejudicaram a florada, o pegamento e o desenvolvimento inicial dos frutos. A produtividade média é estimada em 697 caixas de 40,8 Kg por hectare, queda de 14%. Para os produtores, o cenário combina preços mais baixos e custos elevados, com aumento das aplicações para controle do greening e pressão de fertilizantes e diesel. Na safra 2025/26, o Itaú BBA estima que 49,6 milhões de caixas de 40,8 Kg deixaram de ser colhidas em decorrência da doença. Considerando R$ 37,00 por caixa de 40,8 Kg, o impacto potencial sobre a receita bruta no campo chega a aproximadamente R$ 1,8 bilhão. A incidência de greening no cinturão citrícola alcançou 47,6% em 2025/26. O avanço da doença vem alterando a distribuição geográfica da citricultura, inclusive com aumento do envio de mudas para regiões fora da área tradicional de produção.
Para 2026/27, a expectativa predominante é de manutenção das cotações em níveis mais baixos, principalmente para produtores dependentes do mercado spot. Aqueles com contratos de longo prazo ainda podem obter referências próximas de R$ 50,00 por caixa de 40,8 Kg, embora parte dos acordos esteja sendo revisada. Nesse ambiente, escala de produção, disponibilidade de irrigação, controle sanitário dos pomares e eficiência operacional tendem a ganhar importância para a preservação das margens. O risco climático permanece como fator de atenção, especialmente diante da possibilidade de um El Niño de maior intensidade, que pode elevar a irregularidade das chuvas e comprometer o potencial produtivo durante o período de floradas, entre setembro e novembro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.