07/Aug/2026
A produção de durian na Malásia enfrenta pressão crescente sobre a rentabilidade diante dos impactos das mudanças climáticas, da elevação dos custos de produção e do aumento da oferta doméstica. A forte demanda da China pela fruta, conhecida pelo aroma intenso e pela casca espinhosa, impulsionou a expansão dos pomares no Sudeste Asiático, mas os produtores malaios enfrentam dificuldades para manter margens competitivas frente a Tailândia e Vietnã. Eventos climáticos extremos, incluindo chuvas intensas e ondas de calor, têm prejudicado a produtividade das lavouras. Em Karak, o produtor Stephen Chow registrou perdas após inundações que danificaram cerca de 100 árvores e equipamentos em 2021. Nos anos seguintes, chuvas persistentes durante a fase de floração reduziram a eficiência da polinização e afetaram o rendimento dos pomares.
Entre fevereiro e abril deste ano, temperaturas de até 35°C combinadas com chuvas concentradas no período noturno favoreceram a floração, mas elevaram a necessidade de irrigação e aplicação de fertilizantes. Ao mesmo tempo, o aumento dos custos de insumos e a maior disponibilidade interna do produto pressionaram as cotações. A variedade premium Musang King (Grau A) foi comercializada no início de julho pelo equivalente a US$ 8,60 por quilo, cerca de metade do valor registrado no mesmo período do ano anterior. A expansão da cultura na Malásia foi significativa nos últimos anos. A área cultivada com durian alcançou 92,1 mil hectares em 2024, crescimento de quase 40% ante 2016, enquanto a produção avançou cerca de 90% no período, para 568,8 mil toneladas.
O aumento foi favorecido pela abertura do mercado chinês para frutos congelados em 2019 e para frutos frescos em 2024. A China concentra grande parte da demanda global pela fruta. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a China respondeu por cerca de 95% das importações mundiais de durian entre 2020 e 2022. Em 2025, as compras chinesas de durian fresco chegaram a 1,87 milhão de toneladas, totalizando US$ 7,5 bilhões, com volume seis vezes superior ao registrado uma década antes. Apesar do crescimento, a Malásia permanece atrás de Tailândia e Vietnã nas exportações para a China e busca competir pela qualidade, com produtores focados na colheita de frutos maduros que caem naturalmente das árvores.
Entretanto, o avanço das temperaturas e as alterações no regime de chuvas têm afetado a qualidade dos frutos e ampliado a incidência de pragas. Produtores também relatam aumento expressivo nos custos de defensivos agrícolas e mudanças no equilíbrio ambiental dos pomares. Em Perak, agricultores registraram elevação de aproximadamente 30% nos gastos com defensivos em três anos, além da redução da presença de morcegos frugívoros, importantes agentes de polinização. Para reduzir os impactos climáticos, especialistas recomendam investimentos em infraestrutura hídrica, incluindo ampliação de reservatórios e instalação de poços tubulares, como forma de garantir maior estabilidade produtiva diante da variabilidade climática. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.