05/Aug/2026
A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos continua pressionando o setor brasileiro de tabaco, que reavalia estratégias comerciais diante da redução da competitividade no mercado norte-americano e da dificuldade de redirecionar a produção para outros destinos. O principal impacto concentra-se em Santa Cruz do Sul (RS), principal polo da indústria brasileira. As exportações para os Estados Unidos recuaram 23% em 2025 na comparação com o ano anterior. Antes da entrada em vigor da tarifa de 50%, as empresas anteciparam embarques e conseguiram enviar aproximadamente 60% do volume historicamente destinado ao mercado norte-americano, reduzindo parte dos efeitos imediatos da medida.
Com a adoção das novas tarifas, o setor projeta queda de 45% nas exportações para os Estados Unidos em 2026. Além da indústria, que emprega cerca de 40 mil trabalhadores diretamente no Brasil, os impactos também atingem milhares de produtores rurais integrados à cadeia produtiva. A Região Sul responde por 96% da produção nacional de tabaco. As empresas mantiveram, até o momento, as compras contratadas junto aos produtores, conforme previsto na Lei da Integração, mas passaram a acumular estoques. A expectativa é que, até o final do ano, aproximadamente 40 milhões de quilos de tabaco industrializado permaneçam armazenados, volume que normalmente seria destinado ao mercado norte-americano.
Embora o produto possa ser estocado por até cinco anos, sua qualidade tende a diminuir ao longo do período de armazenamento. O redirecionamento das vendas também enfrenta limitações comerciais, uma vez que o mercado dos Estados Unidos utiliza predominantemente a mistura conhecida como american blend, composta por três tipos específicos de tabaco com demanda restrita em outros países. Diante desse cenário, o setor acompanha a possibilidade de inclusão do tabaco em uma futura lista de exceções tarifárias, enquanto avalia que a evolução das negociações entre Brasil e Estados Unidos será determinante para a recuperação das exportações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.