15/Jul/2026
Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os preços internacionais de café, cacau e chá registraram fortes oscilações recentes devido a vulnerabilidades estruturais das cadeias produtivas. O estudo Price Dynamics in Global Beverage Markets: Trends, Drivers, and Consequences aponta que alterações nas condições de oferta e demanda respondem por cerca de 90% da dinâmica de preços no curto prazo, enquanto fatores macroeconômicos possuem influência secundária. O relatório destaca a necessidade de fortalecimento dos sistemas produtivos, ampliação da transparência de mercado e melhor distribuição de valor ao longo das cadeias para reduzir a instabilidade das cotações e proteger a renda dos produtores. A produção mundial dessas commodities está concentrada em poucos países de baixa e média renda, aumentando a exposição dos mercados a eventos climáticos e produtivos localizados.
No café, Brasil e Vietnã respondem por quase metade da produção global, enquanto cinco países concentram aproximadamente 65% das exportações mundiais do grão. No cacau, a concentração é ainda maior, com Costa do Marfim e Gana responsáveis por cerca de dois terços da oferta global. No mercado de chá, a China representa mais da metade da produção mundial. Essa concentração geográfica amplia a sensibilidade dos preços internacionais a eventos como secas, geadas, excesso de chuvas, pragas e doenças. Segundo a FAO, os preços globais dessas commodities apresentaram crescimento mais acelerado nos últimos anos em comparação com outros produtos agrícolas. A combinação entre oferta concentrada e aumento do consumo mundial criou um ambiente favorável a movimentos mais intensos de valorização e queda nas cotações.
No mercado de café, os preços avançaram fortemente entre 2021 e 2022 após secas e geadas no Brasil e condições climáticas adversas na Colômbia. As cotações atingiram novos patamares no início de 2025 devido a perdas relacionadas ao clima no Vietnã e na Indonésia. No cacau, a valorização observada no biênio 2023/24 esteve associada à quebra de safra na Costa do Marfim e em Gana, provocada por condições climáticas desfavoráveis e doenças nas lavouras. A transmissão das oscilações de preços ao longo das cadeias produtivas ocorre de forma desigual. Os produtores rurais estão mais expostos aos recuos das cotações internacionais, enquanto os impactos sobre os preços ao consumidor final tendem a ser mais limitados. A FAO ressalta que os movimentos de alta registrados nas bolsas internacionais não são integralmente repassados aos agricultores.
Da mesma forma, reduções nos preços internacionais raramente chegam aos consumidores na mesma proporção, como observado no mercado de chocolates. A diferença está relacionada à estrutura de formação de valor das cadeias, em que a matéria-prima representa apenas uma parcela do custo final, enquanto industrialização, distribuição e varejo concentram maior participação. Para reduzir as vulnerabilidades do setor, a FAO recomenda investimentos em sistemas agrícolas mais resilientes ao clima, ampliação do controle de pragas, modernização dos mecanismos de gestão de risco e melhoria da capacidade de geração e compartilhamento de informações sobre lavouras, estoques e comércio. A organização também defende maior participação dos produtores nas etapas de processamento, classificação e desenvolvimento de marcas próprias, com o objetivo de ampliar a captura de valor dentro das cadeias produtivas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.