14/Jul/2026
Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), o recebimento de amêndoas de cacau no Brasil somou 95.108 toneladas no primeiro semestre de 2026, alta de 63,4% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado interrompe dois anos consecutivos de forte restrição de oferta e recompõe a disponibilidade interna para patamar semelhante ao registrado antes da crise, em 2023, quando os recebimentos alcançaram 93.314 toneladas. A recuperação do abastecimento foi impulsionada pelo desempenho do segundo trimestre, quando o recebimento de amêndoas atingiu 66.503 toneladas, crescimento de 64,5% na comparação anual. A recuperação da produção nacional elevou a oferta de matéria-prima, mas o setor ainda busca consolidar esse avanço nos próximos ciclos para transformar a maior disponibilidade em aumento do processamento e ganho de competitividade.
A Bahia manteve a liderança entre os Estados fornecedores, com participação de 56,8% do volume nacional recebido no semestre. O Pará respondeu por 38,8%, ampliando sua participação e consolidando a expansão da produção na Região Norte. O Espírito Santo representou 3,1% do suprimento e Rondônia, 1,2%. Com o aumento da oferta doméstica, as importações brasileiras de amêndoas de cacau recuaram 57,1% no primeiro semestre, para 18,1 mil toneladas. No segundo trimestre, o País não realizou compras externas do produto, fato que não ocorria havia quatro anos. Apesar da recuperação no campo, a indústria opera em ritmo mais moderado. A moagem de cacau no primeiro semestre totalizou 101.426 toneladas, crescimento de 3,6% em relação a 2025, mas ainda 19,8% abaixo do volume registrado em 2023.
No mercado internacional, a maior disponibilidade física pressionou as cotações do cacau na Bolsa de Nova York, com os contratos futuros oscilando entre US$ 3.500,00 e US$ 5.500,00 por tonelada no segundo trimestre. A principal pressão veio da Costa do Marfim, onde as entregas superaram as expectativas e acrescentaram 260 mil toneladas às projeções iniciais, aproximando a produção total de 2 milhões de toneladas e reforçando a expectativa de superávit global na safra 2025/26. O mercado permanece atento aos riscos climáticos associados à possibilidade de ocorrência de um El Niño de maior intensidade no fim do ano. O fenômeno pode provocar redução das chuvas nas áreas produtoras do Brasil e da África Ocidental, com potencial impacto sobre a oferta dos próximos ciclos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.