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08/Jul/2026

Cacau: El Niño e movimento de fundos elevam preço

Os contratos futuros de cacau negociados na Bolsa de Nova York acumulam valorização de aproximadamente 50% em menos de um mês, refletindo o aumento das preocupações com a safra 2026/27 na África Ocidental e um intenso movimento técnico de recomposição de posições compradas por fundos de investimento. O contrato setembro, de maior liquidez, encerrou esta terça-feira (07/07) cotado a US$ 5.759,00 por tonelada, ante US$ 3.831,00 por tonelada registrados no fechamento de 8 de junho. A precificação do mercado passou a incorporar o risco de impactos do El Niño sobre a próxima safra, embora as condições da temporada atual permaneçam relativamente favoráveis.

A avaliação é de que já são observadas irregularidades climáticas relevantes nas regiões produtoras de cacau, em cenário semelhante ao registrado em 2023. Apesar da recuperação da produção na temporada atual contribuir para a recomposição dos estoques globais, a oferta ainda não retornou aos níveis considerados normais. Nesse contexto, uma redução da produção em 2026/27 poderá recolocar o mercado em um cenário de déficit significativo e restrição na disponibilidade de amêndoas. Além da perspectiva de formação do El Niño, o mercado acompanha as condições climáticas na Costa do Marfim e em Gana, países responsáveis por mais de 60% da produção mundial de cacau.

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas provocaram alagamentos em áreas produtoras, dificultaram o escoamento da produção e elevaram as preocupações com a disseminação de doenças fúngicas, como a podridão parda e a podridão negra das vagens, fatores que podem comprometer o potencial produtivo da safra principal. Embora o cenário climático tenha reforçado a sustentação das cotações, a intensidade da recente valorização também foi impulsionada por fatores técnicos. Após um prolongado movimento de queda, favorecido pela recuperação da safra na África Ocidental, os fundos de investimento ampliaram significativamente suas posições vendidas, atingindo no início de abril o maior volume de apostas baixistas desde 2019.

Com o aumento das preocupações climáticas, esses investidores passaram a recomprar contratos para encerrar posições vendidas, acelerando o movimento de alta das cotações. A recente valorização foi amplificada pelo reposicionamento técnico dos participantes do mercado, mais do que por uma deterioração imediata dos fundamentos de oferta e demanda. Apesar da possibilidade de novas altas caso os riscos climáticos se confirmem, ainda é considerada prematura a projeção de uma nova escalada semelhante à registrada em 2024, quando o cacau atingiu o recorde nominal de aproximadamente US$ 12,5 mil por tonelada.

A continuidade do movimento dependerá da efetiva confirmação de um cenário de escassez na próxima temporada. Nos próximos meses, o mercado deverá concentrar atenção em três indicadores principais. O primeiro será a evolução das chuvas na África Ocidental em comparação com a média histórica. O segundo será a contagem de vagens na Costa do Marfim e em Gana, indicador do potencial produtivo da safra cuja colheita principal terá início em outubro. O terceiro será o desempenho da moagem industrial, cujos primeiros resultados serão divulgados a partir da próxima semana e deverão sinalizar o comportamento da demanda diante dos preços mais elevados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.