30/Jun/2026
A confirmação de um episódio de El Niño forte a partir do fim de 2026 volta a colocar o mercado global de cacau sob atenção, com potencial de impacto sobre a oferta, os preços e o balanço entre produção e demanda nas principais regiões produtoras. O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, tende a alterar padrões de chuva e temperatura em regiões-chave da produção mundial de cacau, com destaque para a África Ocidental, responsável por mais de 70% da oferta global. O comportamento do clima nesses países é determinante para o desempenho das safras, especialmente durante fases críticas de floração e desenvolvimento dos frutos. Após um período recente de recuperação da produção global, a safra 2025/26 registrou aumento estimado em torno de 11%, sustentada por melhores condições climáticas em regiões produtoras da África e da América do Sul.
Esse avanço contribuiu para recomposição parcial dos estoques e redução de déficits anteriores, levando o mercado a uma condição mais equilibrada no curto prazo. Apesar disso, projeções indicam que o ciclo 2026/27 pode apresentar menor folga entre oferta e demanda, com redução do superávit global em relação à safra anterior, em meio ao aumento das incertezas climáticas associadas ao El Niño. A possibilidade de redução da produtividade em países africanos e impactos pontuais na América Latina reforça a percepção de maior volatilidade no mercado. Os efeitos do fenômeno sobre a produção de cacau não são homogêneos entre regiões e dependem da intensidade do evento, do momento do ciclo produtivo e da interação com variáveis locais de temperatura e precipitação. Em geral, o El Niño tende a elevar o estresse hídrico das lavouras e afetar a regularidade das chuvas, o que pode comprometer o desenvolvimento das plantas perenes e gerar impactos com defasagem entre safras.
Além da África Ocidental, regiões produtoras na América Latina, incluindo o Brasil, também podem ser influenciadas por mudanças no regime de chuvas e temperatura, com efeitos variando entre áreas de produção. O comportamento climático nesses períodos pode ainda influenciar a ocorrência de doenças fúngicas, que se beneficiam de maior umidade e temperaturas elevadas. Mesmo com projeções de equilíbrio mais favorável no curto prazo, o mercado de cacau permanece estruturalmente sensível a choques climáticos, o que mantém elevada a volatilidade dos preços. A evolução do El Niño ao longo de 2026 e sua intensidade no ciclo seguinte serão fatores determinantes para o desempenho da oferta global e para a formação de preços no mercado internacional. Fonte: Exame. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.