19/Jun/2026
A recuperação gradual da demanda global por cacau pode reduzir o deságio atualmente observado nos preços pagos aos produtores brasileiros em relação às cotações internacionais. Segundo análise da StoneX, a normalização dos preços da commodity tende a estimular o processamento da amêndoa, fortalecendo a demanda industrial e diminuindo a diferença negativa entre os valores praticados no mercado doméstico e aqueles registrados na Bolsa de Nova York. Atualmente, o cacau brasileiro é negociado com desconto próximo de US$ 1.000,00 por tonelada em relação aos contratos internacionais. Esse diferencial, conhecido como “basis”, já foi ainda mais negativo entre o fim de 2025 e o início de 2026. A expectativa é de que a retomada da moagem contribua para reduzir esse deságio e, eventualmente, restabelecer um cenário de prêmio para o produto nacional. Historicamente, o cacau brasileiro costuma ser comercializado acima dos preços da Bolsa de Nova York, com ágio médio de cerca de US$ 134,00 por tonelada.
Esse comportamento decorre do fato de o Brasil ser deficitário na produção da commodity e depender de importações para abastecer a indústria processadora. Em períodos de oferta mais restrita, os produtores conseguem negociar valores superiores às referências internacionais. A inversão recente do mercado ocorreu após a forte valorização dos contratos internacionais entre 2023 e 2024, quando as cotações superaram US$ 12 mil por tonelada em meio às quebras de safra na África Ocidental e na Bahia. O movimento elevou significativamente os preços dos derivados de cacau, levando fabricantes de chocolates e confeitos a reduzirem o uso da matéria-prima e ampliarem a utilização de substitutos, como gorduras vegetais e derivados de palma. Com a retração da demanda, os preços internacionais recuaram para níveis próximos de US$ 4.000,00 por tonelada, patamar considerado mais compatível com a retomada do processamento industrial.
A competitividade da manteiga de cacau frente a produtos substitutos será determinante para a intensidade dessa recuperação da moagem e, consequentemente, para o fortalecimento da demanda por amêndoas. Entre os extremos observados nos últimos anos, o mercado registrou forte valorização do produto brasileiro em 2024, quando o prêmio sobre Nova York atingiu aproximadamente US$ 4.300,00 por tonelada. Posteriormente, com a recuperação da produção global e o enfraquecimento do consumo, o cenário se inverteu e o deságio chegou a superar US$ 2.300,00 por tonelada em setembro de 2025. A suspensão das importações de cacau da Costa do Marfim pelo Brasil, implementada em fevereiro deste ano sob justificativa sanitária, teve impacto limitado sobre os preços internos, segundo estudo encomendado pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC).
A avaliação é de que não há excesso de oferta doméstica e que restrições às importações podem reduzir a atividade das processadoras durante a entressafra, enfraquecendo a demanda pelo produto nacional no longo prazo. Para os próximos meses, as atenções se voltam para o desenvolvimento do fenômeno El Niño. Caso o evento climático provoque novas perdas produtivas em importantes regiões fornecedoras, a oferta global poderá ser reduzida, sustentando os preços internacionais. Por outro lado, uma eventual valorização do mercado após a comercialização da safra brasileira poderia limitar os ganhos diretos dos produtores nacionais. O comportamento da demanda industrial, a evolução dos estoques globais e os impactos climáticos sobre a produção mundial deverão continuar sendo os principais fatores de formação dos preços do cacau ao longo do segundo semestre de 2026. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.