18/May/2026
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) interceptou uma carga de aproximadamente 1 tonelada de aspargos importados do Peru no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), após identificação de uma praga quarentenária ausente no Brasil. A carga continha 200 caixas do produto e foi fiscalizada pelo serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro). Durante a inspeção, técnicos detectaram a presença do inseto Prodiplosis longifila, espécie considerada de alto risco fitossanitário devido ao potencial de disseminação e aos danos que pode causar à produção agrícola. As amostras foram encaminhadas para análise laboratorial em 8 de maio, e o laudo conclusivo foi emitido em 13 de maio. A identificação utilizou exame visual, análise morfológica em microscópio, consulta bibliográfica, PCR e sequenciamento genético.
Conhecida como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate ou negrilla, a praga apresenta elevada capacidade de infestação e difícil controle. As larvas se desenvolvem em tecidos vegetais, como botões florais, brotos terminais e frutos jovens, causando deformações, abortamento de flores e redução da produtividade. Segundo informações da Embrapa, o inseto pode atingir culturas de alto valor econômico, como tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra e cebola. A praga possui melhor adaptação a regiões de clima quente e elevada umidade relativa do ar, podendo se dispersar por voo em distâncias de até 300 metros. Estudos da Embrapa Territorial apontam que uma eventual introdução da Prodiplosis longifila no Brasil poderia gerar impactos relevantes para cadeias estratégicas do agronegócio, elevar custos de manejo e comprometer mercados internacionais.
Regiões de fronteira no Norte do País são consideradas mais vulneráveis à entrada inicial da praga, enquanto polos produtores de citros e hortaliças poderiam sofrer impactos econômicos significativos em caso de disseminação. Em países onde a praga já está presente, como Peru e Colômbia, há registros de perdas severas em culturas agrícolas, principalmente tomate e citros, além da necessidade de intensificação das medidas de controle fitossanitário. O Vigiagro atua na fiscalização de cargas, produtos de origem vegetal e animal e bagagens em aeroportos, portos e postos de fronteira, com o objetivo de reduzir o risco de entrada e disseminação de pragas ausentes no território nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.