08/May/2026
O setor citrícola brasileiro aguarda a divulgação da primeira estimativa de produção de laranja da safra 2026/27 abaixo do registrado na safra 2025/26, por conta da bienalidade negativa e do avanço do greening (HLB) nos pomares. A divulgação é aguardada com atenção, sobretudo porque o mercado ainda não tem sinalização clara sobre os preços e volumes que serão contratados pela indústria para a nova temporada. Vale lembrar que a safra 2025/26 registrou recuperação expressiva frente à anterior. O Fundecitrus estimou a produção em 292,94 milhões de caixas de 40,8 Kg para São Paulo e Triângulo Mineiro (MG), alta de 26,7% sobre as 230,87 milhões de caixas de 40,8 Kg verificadas na temporada 2024/25, que foi a segunda menor colheita em 37 anos.
A retomada foi sustentada pelo aumento da área em produção, pela melhora nas condições climáticas, com chuvas mais regulares e temperaturas mais favoráveis ao desenvolvimento dos pomares. Para 2026/27, no entanto, a expectativa é de recuo no volume. A bienalidade negativa tende a pesar sobre a produtividade, enquanto o greening (HLB) segue avançando. O clima melhorou nos primeiros meses de 2026, com boa umidade no cinturão citrícola, mas a previsão de temperaturas levemente acima da média mantém o alerta sobre o potencial produtivo ao longo da temporada. Mesmo com a perspectiva de menor safra, o setor entra em 2026/27 diante de um ambiente bastante diferente daquele observado no início de 2025.
A recuperação da produção brasileira na temporada passada recompôs parte da oferta global de suco e reduziu a percepção de escassez que sustentava os preços recordes internacionais. Com isso, os estoques de passagem brasileiros devem subir de aproximadamente 146 mil toneladas em junho de 2025 para cerca de 260 mil toneladas em equivalente concentrado em junho de 2026, segundo estimativas do Cepea com base na série histórica da CitrusBr. O aumento dos estoques reduz a necessidade imediata de compra por parte da indústria e tende a limitar valorizações mais expressivas no curto prazo. Ao mesmo tempo, as cotações internacionais do suco de laranja seguem em queda. A média do suco de laranja na Bolsa de Nova York na parcial da safra 2025/26 recuou de forma significativa frente ao ciclo anterior, refletindo justamente a melhora da oferta e a demanda internacional mais lenta.
O principal ponto de atenção continua sendo a Europa. A União Europeia, historicamente o principal destino do suco brasileiro, vem reduzindo o ritmo das compras diante do enfraquecimento do consumo e dos elevados preços ao consumidor final acumulados nos últimos anos. Esse cenário fez com que os Estados Unidos ampliassem sua participação relativa nas exportações brasileiras na atual temporada. Além disso, a indústria deve iniciar a safra 2026/27 mais abastecida do que entrou em 2025/26. Assim, mesmo com uma produção potencialmente menor no cinturão citrícola, o mercado ainda depende de uma retomada mais consistente da demanda internacional para que os estoques voltem a se enxugar e para os preços possam reagir de forma mais significativa ao produtor. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.