23/Apr/2026
A colheita de cacau em Gana enfrenta riscos operacionais devido a atrasos de até seis meses nos pagamentos aos produtores por parte do órgão regulador Cocobod, comprometendo a capacidade de colheita mesmo em um cenário de recuperação produtiva. A falta de liquidez tem limitado a contratação de mão de obra, impedindo a retirada dos frutos nas lavouras e afetando o fluxo da safra intermediária. O quadro ocorre apesar de sinais de melhora na produtividade, após períodos anteriores marcados por perdas decorrentes de doenças e condições climáticas adversas. A retenção de pagamentos desde novembro/2025 tem levado produtores a restringir a entrega da produção às empresas compradoras, exigindo recebimento imediato.
Esse comportamento pressiona a logística e reduz a fluidez do escoamento no segundo maior produtor global de cacau. O ambiente de incerteza coincide com forte recuo nos preços internacionais da commodity, com queda de aproximadamente 75% em relação aos níveis recordes registrados em 2024, reduzindo a atratividade econômica da atividade. Dados do Banco de Gana indicam retração de cerca de 20% nas exportações em fevereiro, refletindo os impactos da crise de liquidez sobre aproximadamente 800 mil famílias envolvidas na cadeia produtiva. A combinação de restrições financeiras, menor fluxo logístico e preços em queda pode comprometer o potencial produtivo e a oferta global de cacau, com efeitos sobre o equilíbrio do mercado internacional. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.