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07/Apr/2026

Cacau: mercado entra em ciclo de superávit global

O mercado global de cacau iniciou 2026 em transição para um novo ciclo, caracterizado pela passagem de um ambiente de escassez para uma condição de maior equilíbrio entre oferta e demanda, com perspectiva de formação de superávit após o choque de preços observado entre 2024 e 2025. As cotações internacionais registraram forte correção ao longo de 2026, após níveis superiores a US$ 10 mil por tonelada no pico da crise de oferta. Em determinados momentos do ano, os preços recuaram para patamares inferiores a US$ 3 mil por tonelada, refletindo a recomposição dos estoques globais e o ajuste da demanda. A produção mundial apresentou recuperação relevante na safra 2024/25, com crescimento de 11%, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis na África e na América do Sul. Para a safra 2025/26, a expectativa é de ampliação do superávit global, com continuidade do processo de recomposição gradual dos estoques.

Apesar da melhora na oferta, o principal vetor de ajuste do mercado tem sido a retração da demanda. A moagem, indicador do consumo, apresentou queda nos principais polos consumidores. Na Europa, o volume processado recuou 5,9% em 2025, atingindo o menor nível anual desde 2015. O ambiente de preços elevados nos últimos anos foi parcialmente repassado ao consumidor final, resultando em redução do consumo de chocolate e ajustes nas formulações e no portfólio de produtos pela indústria, reforçando o caráter cíclico do mercado, no qual preços elevados tendem a provocar contração da demanda. Mesmo com a perspectiva de superávit, o mercado permanece sujeito à volatilidade, considerando a elevada concentração da produção global na África Ocidental, responsável por mais de 70% da oferta, além de desafios estruturais como envelhecimento das lavouras, baixa adoção tecnológica e riscos fitossanitários.

No Brasil, o movimento acompanha o cenário internacional, com queda de 14,6% na moagem em 2025, enquanto o recebimento de amêndoas avançou 3,7%, indicando enfraquecimento da demanda doméstica diante de custos elevados. Apesar da recente queda das cotações internacionais, os preços ao consumidor permanecem elevados, refletindo o repasse gradual ao longo da cadeia produtiva. Em fevereiro de 2026, a inflação do chocolate acumulou alta de 26,4% em 12 meses, superando significativamente o índice geral de preços. Para os próximos meses, o mercado deve permanecer atento às condições climáticas na África Ocidental e à possível ocorrência do fenômeno El Niño, que pode impactar a produção e reintroduzir volatilidade nas cotações. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.