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06/Apr/2026

Citricultura: MG reforça defesa contra o greening

A criação de um cinturão antigreening em Minas Gerais sinaliza uma mudança relevante na forma de enfrentamento dos riscos sanitários na citricultura brasileira, com adoção de uma estratégia coordenada, preventiva e territorial para conter a principal ameaça à produção de citros. A iniciativa, liderada por produtores e entidades regionais, busca proteger uma área superior a 150 mil Km², incluindo o principal polo citrícola do Estado, concentrado no Triângulo Mineiro, que responde por parcela expressiva da produção regional. O movimento ocorre em um contexto de expansão da citricultura mineira, com crescimento de área nos últimos anos, o que amplia a exposição ao risco fitossanitário e exige respostas estruturadas para garantir a sustentabilidade dos investimentos no setor.

O greening, considerado a doença mais severa da citricultura mundial, não possui cura e apresenta elevada capacidade de disseminação por meio do inseto vetor, o que torna a prevenção e o controle coletivo elementos centrais da estratégia produtiva. Nesse cenário, o cinturão antigreening representa uma mudança de paradigma ao deslocar o foco do controle individual para uma abordagem regional integrada. A estratégia combina monitoramento contínuo, eliminação de plantas hospedeiras e resposta rápida a focos, além de avanços regulatórios locais, como a proibição do plantio de espécies que favorecem a proliferação do vetor. A adoção desse modelo reflete aprendizados acumulados em outras regiões produtoras, onde o avanço da doença resultou em perdas expressivas de produtividade e elevação de custos operacionais. Em polos tradicionais, a incidência já atinge níveis elevados, impactando a oferta e pressionando a reorganização geográfica da produção.

Do ponto de vista econômico, a iniciativa contribui para reduzir a incerteza e preservar o ambiente de investimento, fator essencial em uma cultura de ciclo longo e elevada intensidade de capital. A previsibilidade sanitária passa a ser determinante para decisões de expansão, especialmente em regiões que ainda apresentam baixa incidência da doença. Além disso, o movimento reforça uma tendência mais ampla de regionalização da gestão de risco no agronegócio, em que a coordenação entre produtores, entidades e poder público se torna condição necessária para manter a competitividade em cadeias expostas a riscos biológicos de rápida disseminação. Nesse contexto, Minas Gerais se posiciona de forma antecipada frente a um problema estrutural da citricultura global, buscando evitar a perda de produtividade observada em outras regiões e consolidar sua relevância dentro do cinturão citrícola nacional. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.