02/Apr/2026
Segundo o Itaú BBA, o mercado global de cacau inicia 2026 em transição para um novo ciclo, com saída de um período de forte escassez e avanço para uma dinâmica de normalização, marcada pelo retorno ao superávit. Apesar da melhora nos fundamentos, a volatilidade permanece elevada, refletindo riscos estruturais e climáticos concentrados na África Ocidental. A recomposição do equilíbrio entre oferta e demanda foi impulsionada principalmente pela retração da moagem industrial, que reagiu ao choque de preços observado entre 2024 e 2025. Esse movimento contribuiu para reduzir a pressão sobre a disponibilidade global.
Do lado da oferta, a produção mundial registrou crescimento de 11% na safra 2024/25, favorecida por condições climáticas positivas na África e na América do Sul. Com isso, o mercado saiu de um déficit de aproximadamente 500 mil toneladas em 2023/24 para um superávit de 82 mil toneladas em 2024/25. Para 2025/26, a projeção indica ampliação do excedente para 287 mil toneladas, com a relação estoque/consumo atingindo 35%, condicionada à manutenção de clima favorável na África Ocidental. Apesar do avanço cíclico, fatores estruturais seguem sustentando prêmio de risco no mercado, como o envelhecimento dos cacaueiros e a baixa adoção tecnológica em regiões produtoras relevantes.
No cenário de preços, as cotações internacionais registraram forte correção em 2026, devolvendo parte significativa dos ganhos observados no pico recente, quando superaram US$ 10.000,00 por tonelada. Em fevereiro, os contratos foram negociados abaixo de US$ 3.000,00 por tonelada, próximos aos níveis anteriores à escalada de preços iniciada em 2024. Esse movimento levou a ajustes nos preços pagos aos produtores na África Ocidental, com reduções de 28,6% em Gana, para US$ 3.700,00 por tonelada, e de cerca de 60% na Costa do Marfim, para aproximadamente US$ 2.000,00 por tonelada, com o objetivo de manter a competitividade das exportações.
No Brasil, o mercado apresenta dinâmica distinta, com queda de 14,6% na moagem em 2025, para 195,9 mil toneladas, enquanto o recebimento de amêndoas avançou 3,7%, totalizando 186,1 mil toneladas. Esse descompasso pressionou o prêmio doméstico em Ilhéus, que passou a operar em campo negativo frente à referência internacional. Apesar da queda nos preços da matéria-prima, os preços ao consumidor seguem elevados, refletindo defasagem no repasse dos custos anteriores. Em fevereiro de 2026, a inflação acumulada em 12 meses do chocolate em barra e bombom atingiu 26,4%, acima do IPCA de 3,8%, indicando manutenção de preços elevados ao consumidor no período sazonal da Páscoa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.