27/Mar/2026
O 3º Boletim do Prohort da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que todas as frutas mais comercializadas nas Ceasas brasileiras registraram redução nos preços médios ponderados em fevereiro. O movimento reflete interação entre oferta sazonal, condições climáticas e demanda interna.
- Banana: apresentou queda de 11,16% na média ponderada. Apesar do aumento de demanda pelo retorno às aulas, o volume adquirido no terço final do mês e a oferta diversificada (banana nanica do norte de Santa Catarina e banana prata do norte de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Ceará) amorteceram a pressão altista. O resultado reforça a sensibilidade do preço ao equilíbrio entre oferta regional e demanda escolar e comercial.
- Maçã: registrou retração de 10,32%, decorrente da maior oferta de maçã gala em início de colheita, somada à continuidade da safra da maçã eva no Paraná e em São Paulo. O comportamento evidencia a influência direta da sazonalidade e do tipo de variedade sobre a cotação média no atacado.
- Mamão: apresentou queda de 7,52%, apesar de menor oferta da papaia causada por excesso de chuvas no trimestre anterior. A presença do mamão formosa com oferta maior ajudou a conter valorização. Este caso evidencia o efeito compensatório entre variedades dentro do mesmo produto.
- Melancia: teve recuo mais moderado, de 3,72%, influenciado pelo clima adequado e chuvas pontuais que favoreceram qualidade. Contudo, o alto volume de chuvas em áreas produtoras como Ceres (GO) tende a pressionar o plantio e a oferta futura.
- Laranja: registrou estabilidade, com leve queda de 0,06%, em função da redução da comercialização nas Ceasas do Sudeste. O cenário aponta equilíbrio entre oferta e demanda, sem movimentos expressivos de valorização ou desvalorização.
O mercado de hortaliças apresentou variação divergente entre produtos, refletindo interação entre oferta, qualidade e sazonalidade:
- Cebola: queda de 5,52% na média ponderada, impulsionada pela menor qualidade e aumento da oferta catarinense. Apesar do crescimento de volume, o recuo no preço indica sensibilidade a atributos qualitativos do produto.
- Cenoura: recuo moderado de 1,23%, mesmo com redução de oferta de 5,6%. Chuvas prejudicaram colheita e qualidade, limitando a elevação de preços.
- Alface: alta de 2,02% com oferta 7% menor, refletindo impacto das chuvas sobre colheita e qualidade.
- Tomate: aumento de 5,20% devido à menor oferta pós-pico da safra de verão. A transição de safra evidencia influência do calendário produtivo sobre disponibilidade e preços.
- Batata: registrou alta de 11,72%, resultado da redução da oferta após pico de safra e impactos climáticos nas regiões produtoras. Este movimento confirma a forte correlação entre sazonalidade e cotação no atacado.
Chuvas intensas influenciam diretamente a oferta, qualidade e transporte, afetando preços de forma diferenciada por produto e região. Frutas como banana e mamão demonstram maior sensibilidade ao volume disponível, enquanto hortaliças como batata e tomate reagem fortemente à redução de oferta. O comportamento do preço reflete a necessidade de planejamento eficiente de estoques e diversificação de origens para mitigar volatilidade.
O cenário de fevereiro de 2026 indica que o mercado hortifrúti brasileiro continua fortemente influenciado pela sazonalidade, condições climáticas e padrões de oferta regional. As frutas apresentaram retração generalizada, enquanto as hortaliças mostraram comportamento heterogêneo, destacando a importância de estratégias diferenciadas de produção e comercialização. Para os agentes do setor, a análise reforça a necessidade de monitoramento contínuo e ajuste de estratégias logísticas e de preços, especialmente em períodos de transição de safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.