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24/Sep/2026

Feijão: área, clima e oferta elevam atenção para 2027

O mercado brasileiro de feijão entra nos próximos meses sob influência de uma combinação de fatores que pode limitar a oferta e aumentar a sensibilidade das cotações. A perspectiva de área plantada em algumas regiões, os estoques ajustados, o comportamento dos produtores e o risco climático associado ao El Niño formam um cenário que exige acompanhamento, embora ainda não seja possível projetar uma crise de abastecimento ou uma trajetória contínua de alta dos preços. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção próxima de 2,9 milhões de toneladas de feijão na safra 2026/27 e aponta riscos associados ao El Niño para a produtividade. As previsões climáticas indicam um El Niño muito forte, com possibilidade de permanência pelo menos até o início de 2027, além de alterações no regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões produtoras. Caso essas condições se confirmem, a oferta poderá ser afetada tanto pela área cultivada quanto pelo rendimento das lavouras.

A decisão sobre a área plantada não depende exclusivamente dos preços correntes. O produtor considera custos de produção, risco climático, produtividade esperada, liquidez, facilidade de comercialização e a rentabilidade de culturas concorrentes. Nesse contexto, há indicações de redução da área destinada ao feijão em determinadas regiões produtoras, incluindo o Paraná. Caso esse movimento se confirme, a resposta da produção aos preços mais elevados poderá ser insuficiente para recompor a oferta. A produtividade representa um segundo ponto de atenção. Uma eventual redução da área cultivada combinada com perdas de rendimento provocadas por condições climáticas adversas teria impacto mais expressivo sobre a disponibilidade do que cada fator isoladamente. Em um mercado que já opera com oferta mais ajustada, uma redução adicional da produção pode provocar alterações relevantes nas cotações. Os preços já apresentam sinais de sustentação associados à menor disponibilidade.

O Indicador Cepea/CNA registra firmeza das cotações, com altas recentes particularmente relevantes para o feijão-preto em regiões acompanhadas no Paraná. No feijão-carioca, após períodos de pressão decorrentes do avanço da colheita, a disponibilidade volta a apresentar maior ajuste. O cenário indica que o mercado não dispõe de uma oferta suficientemente ampla para absorver sem impactos alterações relevantes no fluxo de comercialização. A disponibilidade física de produto dentro da cadeia também não corresponde necessariamente ao volume efetivamente colocado no mercado em cada momento. Produtores, cerealistas, distribuidores, indústrias e demais agentes adotam estratégias comerciais próprias e podem ajustar o ritmo de vendas de acordo com suas necessidades e expectativas. Em um ambiente de oferta restrita e preços elevados, decisões individuais de comercialização podem reduzir o fluxo de mercadoria e aumentar a sensibilidade das cotações, sem necessidade de qualquer ação coordenada entre os participantes.

Por isso, o acompanhamento dos estoques e do ritmo de comercialização será relevante nos próximos meses. Uma eventual combinação de menor área plantada, estoques ajustados, produtividade abaixo do potencial, condições climáticas adversas e menor entrada de produto em determinados períodos, em um cenário de demanda firme, tende a aumentar a volatilidade e a sensibilidade do mercado. Os efeitos de uma eventual redução significativa da oferta podem alcançar toda a cadeia, desde o produtor até o consumidor. O feijão apresenta elevada importância na alimentação brasileira e integra o consumo cotidiano de grande parcela da população, o que limita a possibilidade de substituição quando os preços avançam. O consumidor pode reduzir o volume adquirido ou substituir parcialmente o produto, mas existe menor flexibilidade de demanda em comparação com outras commodities alimentares. As exportações brasileiras também ganham importância na formação do equilíbrio entre oferta e demanda.

O mercado interno continua como principal destino da produção nacional, mas o crescimento dos embarques acrescenta uma fonte adicional de demanda. Em períodos de ampla disponibilidade, esse fluxo pode ser absorvido com maior facilidade. Em um cenário de oferta ajustada, entretanto, qualquer expansão adicional da demanda externa pode aumentar a pressão sobre o mercado doméstico. As expectativas de preços mais elevados para os próximos meses, observadas em determinadas regiões e condições de comercialização, não devem ser tratadas como uma previsão garantida. A formação das cotações dependerá da evolução da área plantada, produtividade, clima, estoques, demanda interna e externa e ritmo de comercialização. Ainda assim, a existência de fundamentos simultaneamente relacionados à oferta e ao clima mantém o mercado em estado de atenção.

O principal ponto de acompanhamento para 2027 será a capacidade de produção de volume suficiente para recompor estoques e atender à demanda. Caso a área plantada recue, as condições climáticas adversas se confirmem e a produtividade fique abaixo do esperado, a oferta poderá entrar em 2027 ainda mais ajustada. Em um mercado com estoques reduzidos, menor área e risco climático elevado, alterações relativamente pequenas na disponibilidade podem provocar movimentos mais acentuados nos preços. O cenário atual não permite concluir que haverá necessariamente escassez ou uma alta contínua das cotações, mas os fundamentos justificam monitoramento próximo. A evolução da área cultivada, o comportamento do clima, o rendimento das lavouras, os estoques e o fluxo de comercialização serão determinantes para definir se as atuais expectativas permanecerão apenas como cenários de mercado ou se resultarão em uma restrição efetiva da oferta nos próximos meses. Fonte: App do Feijão. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.