21/Jun/2023
A oferta de grãos de maneira global afeta localmente os preços e, consequentemente, os custos de produção de proteínas animais, especialmente daqueles animais que consomem rações essencialmente compostas por milho e farelo de soja. A StoneX ressaltou a necessidade de atenção ao cenário mundial de produção e oferta, além da composição de preços. Pensando no cenário de milho e farelo de soja, e que o Brasil tem papel significativo na exportação de frango de corte, e há um consumo grande destes insumos na atividade, a situação da gripe aviária gera alerta. Se a indústria tem uma dificuldade (no caso, se houver complicações sobre a Influenza Aviária no Brasil), isso abala a demanda interna. O Brasil deve consumir 81 bilhões de toneladas de milho, quase 30 milhões de toneladas do que o País exporta. E uma parte expressiva desse volume para o mercado de rações. Quase 24% do milho brasileiro vai para frango de corte. Se a indústria tiver que colocar o pé no freio, pode ser mais um fator baixista de preço. Hoje, há uma recomposição de oferta, o que é precificado pelo mercado.
Entretanto, no ano passado, o cenário era outro. A Ucrânia tinha uma representatividade enorme na exportação mundial de milho, quando o Brasil e Argentina tinham problemas com o cultivo do cereal. Mas, com a guerra com a Rússia, o mercado acabou ficando receoso e com dúvidas, e saiu em busca de outras alternativas, além das frustrações de safras, colocou o Brasil no último ciclo como grande exportador de milho. Outro ponto ressaltado é que o mercado é bastante dependente da China em relação ao milho, porque o gigante asiático possui grande estoque. Isso faz com que, se houver volumes significativos estocados, a China reduz suas compras internacionais. O mercado olha para o aspecto de que, se o Brasil não tivesse duas safras, como é que ficaria o cenário internacional do farelo de soja, vendo a frustração das safras na Argentina. A safra norte-americana crescerá em volume, dependendo do clima no mês de julho (que é crucial para o desenvolvimento da safra). Se a safra dos Estados Unidos não for tão grande assim, os mercados podem se preocupar, mesmo com uma safra grande vinda do Brasil.
No mercado mundial da soja, de um lado o mundo observa a safra norte-americana, que representa no mundo 32% a 35%, dependendo do momento, e quando passa a safra norte-americana, o mercado da soja vira a chave e olha a safra na América do Sul. Isso se dá porque juntando Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, se fala de metade da produção mundial da oleaginosa. E não só metade da produção mundial da oleaginosa, como também na América do Sul fica um dos principais fornecedores globais de farelo de soja, que é a Argentina. É lógico que tudo que acontece afeta esses mercados. Por isso, desde o final do ano passado até dois ou três meses atrás, observou-se uma volatilidade significativa. Apesar dos problemas climáticos no Rio Grande do Sul e na Argentina, o Brasil colheu quase 160 milhões de toneladas de soja. Hoje, o mercado não aceita mais amadores. Trata-se de uma cadeia muito mais complexa, completa e internacional. É preciso olhar não só para produção brasileira, também para a mundial. Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.