21/Jan/2020
As primeiras evidências de atenuação do aumento de carnes em janeiro reforçaram para o mercado que essa pressão deve ter ficado concentrada em 2019 e limitada às proteínas e itens altamente correlacionados a esses produtos, como restaurantes. Deve ser essa a razão da revisão, nesta segunda-feira (20/01), pela segunda vez seguida, da projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020 no Boletim Focus. Contudo, os preços de alimentos seguem como maior risco de alta para a inflação oficial neste ano, enquanto as taxas de serviços devem seguir moderadas.
A mediana do Focus para o IPCA de 2020 passou de 3,58% para 3,56%. Há duas semanas, era 3,60%. Na segunda quadrissemana do mês, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou decréscimo nas taxas de carnes bovinas, de 11,07% para 5,47%. E o IPC da Fundação de Estudos e Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou as proteínas em deflação de 0,5%, após alta de 7,93% na divulgação anterior. No critério ponta, a deflação das carnes chega a 8,34%.
Está ficando claro que a maior parte da pressão ficou em 2019. Os preços devem continuar subindo, mas em um ritmo mais modesto. Esse movimento de descompressão parece mais rápido do que muitos imaginavam. Além disso, o choque tem se mostrado muito limitado às proteínas em si e até mesmo o efeito sobre os preços de restaurantes deve ser passageiro, ao contrário do passado, que o impacto era visto por cerca de seis meses.
Devido à sustentação da demanda chinesa por proteína brasileira e à perspectiva de aumento de consumo doméstico com a recuperação econômica em meio à oferta limitada, os preços de carne devem atingir o ponto máximo no último trimestre de 2020. Além disso, há risco de choque de oferta de milho, leite e etanol. Por um lado, há um otimismo com os preços de serviços. Mas, o cenário agrícola inspira cautela. Os alimentos são os principais riscos no cenário de inflação. Os incêndios na Austrália e os casos de gripe aviária podem sustentar os preços elevados de proteínas. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.