06/Nov/2026
A arroba do boi gordo se aproximou de R$ 400,00 no mercado físico nos últimos dias, após superar esse patamar na B3, sustentada pela menor disponibilidade de bovinos para abate, pela demanda internacional por carne bovina e pela valorização do dólar ante o Real. A combinação desses fatores deve manter as cotações firmes pelo menos até o início de 2027. Ao longo do próximo ano, entretanto, a capacidade de consumo do mercado doméstico e o ritmo das compras chinesas serão determinantes para a sustentação dos preços. O cenário de alta do ciclo pecuário favorece os produtores, enquanto a valorização da matéria-prima já pressiona as margens dos frigoríficos. Na B3, todos os contratos futuros já superam R$ 400,00 por arroba. No mercado físico, as referências também se aproximam desse nível.
Em São Paulo, a cotação é de R$ 387,00 por arroba para o boi gordo e de R$ 390,00 por arroba para o “boi China”, em valores brutos e a prazo. A perspectiva de preços firmes no curto e médio prazos considera a menor oferta mundial de carne bovina, a disponibilidade restrita de animais terminados no Brasil, a reversão do ciclo pecuário e o câmbio mais favorável às exportações. A recomposição da oferta esperada a partir de meados de outubro ainda não ocorreu na intensidade projetada pelo mercado. Caso a disponibilidade permaneça nos níveis atuais ou apresente apenas um aumento moderado, haverá sustentação para as cotações mais elevadas. A necessidade dos frigoríficos de cumprir compromissos de abate e exportação, diante da oferta restrita, aumenta a disputa pelos bovinos e pressiona as ofertas de compra.
A retenção de fêmeas, entre vacas e novilhas, é um dos principais fatores por trás da redução da oferta. Com a melhora da rentabilidade da cria, os pecuaristas têm maior incentivo para manter matrizes no rebanho e ampliar a produção de bezerros, reduzindo a disponibilidade de bovinos para abate. A valorização da reposição reforça essa estratégia. A cotação do bezerro já se aproxima de R$ 3,6 mil por cabeça, sinalizando um mercado de oferta ajustada e estimulando a retenção de matrizes. A tendência é de intensificação desse movimento, com menor disponibilidade de carne bovina à medida que o ciclo pecuário avance para uma fase de oferta mais restrita. A valorização do dólar, em torno de R$ 5,50, também integra o conjunto de fatores favoráveis ao mercado.
A conversão das receitas de exportação em Reais amplia a capacidade de pagamento dos frigoríficos exportadores e permite ofertas maiores pela matéria-prima. Além disso, o câmbio mais elevado torna a carne brasileira mais competitiva para compradores internacionais. A influência da moeda, contudo, não é direta sobre toda a formação do preço interno da arroba. O impacto mais imediato ocorre sobre a rentabilidade dos frigoríficos exportadores, embora a crescente participação do Brasil no comércio internacional de carne bovina amplie a influência das exportações sobre as cotações domésticas. A retomada das compras chinesas e a definição da nova cota de importação para 2027 são outros fatores relevantes para a sustentação dos preços.
A expectativa é de antecipação dos embarques pelos frigoríficos para aproveitar a disponibilidade de acesso ao mercado asiático no início do próximo ano, o que pode estimular a demanda por animais pelo menos até abril. A ausência de uma distribuição prévia da cota entre os frigoríficos tende a provocar nova corrida pelos embarques, especialmente porque a habilitação de unidades brasileiras nos últimos anos ampliou o número de empresas interessadas em acessar o mercado chinês. O preenchimento da cota em 2027 poderá ocorrer mais cedo do que neste ano, uma vez que os frigoríficos já conhecem as regras e têm condições de organizar os embarques com antecedência. Parte dessa preparação já está em andamento, com cargas direcionadas para chegar à China no início do próximo ano.
A antecipação dos embarques pode contribuir para manter preços mais favoráveis até maio, mas a proximidade do esgotamento da cota tende a alterar a dinâmica do mercado a partir de junho. A demanda chinesa também encontra suporte na necessidade de recomposição dos estoques de carne bovina no país asiático, que estariam em níveis inferiores aos registrados no fim de 2025. Esse cenário reforça a perspectiva de continuidade das compras e pode contribuir para sustentar as exportações brasileiras. Ainda assim, o comportamento dos preços ao longo de 2027 dependerá da combinação entre a disponibilidade de bovinos no Brasil, o ritmo de utilização da cota chinesa e a capacidade do mercado doméstico de absorver a carne bovina em patamares mais elevados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.