06/Nov/2026
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) defendeu maior previsibilidade comercial e ampliação da cooperação regulatória entre Brasil e Estados Unidos no setor de carne bovina, durante a 65ª Conferência Anual do Meat Import Council of America (MICA), realizada de 2 a 4 de novembro, em Scottsdale, no Arizona (EUA). Foram apresentadas as perspectivas brasileiras para o abastecimento do mercado norte-americano e destacada a complementaridade entre as cadeias produtivas dos dois países. A participação brasileira ocorreu em um cenário de redução do rebanho bovino dos Estados Unidos. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o país iniciou 2026 com 86,2 milhões de cabeças, o menor efetivo desde 1951. O número de matrizes, estimado em 27,6 milhões de cabeças, também atingiu o menor patamar da série histórica. Nesse contexto, a carne bovina brasileira exerce função complementar à produção norte-americana, especialmente no fornecimento de cortes magros utilizados pela indústria local na fabricação de carne moída e hambúrgueres.
Esses produtos são combinados com matérias-primas de maior teor de gordura provenientes da pecuária dos Estados Unidos, contribuindo para atender às necessidades da indústria de processamento e à demanda dos consumidores. A capacidade brasileira de fornecimento está apoiada na dimensão e na diversidade da produção pecuária nacional. Em 2025, o Brasil produziu mais de 12 milhões de toneladas de carne bovina e exportou para 177 destinos. Para 2026, a participação brasileira nas exportações mundiais do produto é estimada em aproximadamente 30%. A agenda apresentada pelo Mapa no encontro concentrou-se em três frentes: maior previsibilidade nas condições de acesso ao mercado norte-americano, aprofundamento do diálogo regulatório entre o ministério e o USDA e intercâmbio de informações entre importadores, exportadores e entidades representativas dos dois países.
A iniciativa também busca ampliar a cooperação técnica e a interlocução entre os setores público e privado. A estabilidade das condições comerciais é considerada relevante para o planejamento das empresas, a eficiência das cadeias de abastecimento e a segurança dos consumidores. Nesse sentido, o Brasil defende relações de longo prazo baseadas na complementaridade produtiva e no cumprimento das exigências sanitárias, com condições comerciais que atendam aos interesses dos dois mercados. A Conferência Anual do MICA é um dos principais fóruns de interlocução da indústria de importação de carnes dos Estados Unidos e reúne representantes de diferentes países para discutir abastecimento, comércio internacional, regulamentação e logística. A participação do Mapa integra a estratégia de fortalecimento das relações comerciais bilaterais no setor de proteína bovina. Fonte: Ministério da Agricultura. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.