06/Nov/2026
Oito entidades representativas de criadores, pecuaristas e da cadeia da carne bovina lançaram a União Nacional da Pecuária (Unapec), durante o evento Pecuária em Pauta, promovido pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), em São Paulo. A iniciativa reúne, além da Acrimat, a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), a Associação de Criadores do Pará (Acripará), a Associação dos Pecuaristas de Rondônia (Apron), a Associação Baiana de Pecuária (Acrioeste), a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Associação Grupo Pecuária Brasil (GPB). A nova organização tem como objetivo unificar a representação dos pecuaristas brasileiros e ampliar a participação dos produtores nas discussões sobre o mercado de carne bovina e as políticas públicas para o setor.
O presidente da Unapec, Guilherme Bumlai, que também preside a Acrissul, explicou que a articulação começou há aproximadamente um ano, a partir de conversas entre associações de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e posteriormente incorporou entidades de outros Estados e segmentos da cadeia produtiva. A proposta é estabelecer uma representação coordenada para defender os interesses dos produtores nas discussões que envolvem a pecuária de corte. Como exemplo da necessidade dessa articulação, Bumlai destacou a reação do setor à imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira. Na ocasião do anúncio da medida, a cotação do boi gordo recuou entre R$ 25,00 e R$ 30,00 por arroba, embora os pecuaristas avaliassem que os efeitos sobre o mercado seriam temporários, diante da oferta restrita de bovinos. Na avaliação da entidade, a comunicação sobre os impactos das tarifas ficou concentrada na indústria frigorífica, sem espaço equivalente para a perspectiva dos produtores.
Também houve preocupação com a possibilidade de frigoríficos sem atuação exportadora utilizarem o cenário de incerteza para pressionar os preços pagos aos pecuaristas. A Unapec pretende ampliar a participação dos produtores e de suas entidades nas discussões e na apresentação de posicionamentos sobre questões que afetam a cadeia produtiva. Outro eixo de atuação será a defesa da pecuária brasileira diante de barreiras comerciais que possam ser justificadas por critérios sanitários e ambientais. O crescimento das exportações nacionais de carne bovina amplia a necessidade de preparação do setor para responder a questionamentos de mercados compradores e demonstrar os resultados da atividade nas áreas de sustentabilidade ambiental e sanidade animal. A organização pretende fortalecer a capacidade de articulação institucional dos pecuaristas para enfrentar eventuais restrições comerciais e defender os interesses da produção nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.