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06/Nov/2026

Frango: embargos por DNC podem pressionar preços

A demora na retomada das exportações brasileiras de carne de frango após os focos da Doença de Newcastle (DNC) em Santa Catarina pode elevar a oferta no mercado doméstico e pressionar as cotações no primeiro trimestre de 2027. A cada redução de 1% nos embarques externos em relação ao volume previsto, a oferta interna aumenta 0,6%. Em um cenário de restrições prolongadas, o volume adicional disponível no mercado brasileiro poderia alcançar aproximadamente 57 mil toneladas. O consumo mais aquecido no fim de 2026, impulsionado pelas festas de fim de ano e pelo pagamento do 13º salário, tende a absorver inicialmente parte dos produtos que deixarem de ser exportados. Entretanto, a pressão sobre os preços poderá se intensificar em janeiro, fevereiro e março, quando o estímulo sazonal à demanda perder força. Caso haja excesso de oferta decorrente da demora na retomada das exportações e da ausência de ajustes no planejamento produtivo, o mercado interno poderá enfrentar maior pressão sobre as cotações.

O risco é mais expressivo para Santa Catarina, responsável por mais de 22% do volume exportado de carne de frango pelo Brasil e por 25% da receita com as vendas externas do produto, que somaram aproximadamente US$ 2,4 bilhões em 2025. China e México, dois importantes destinos da produção catarinense, representam conjuntamente 16% do volume embarcado pelo Estado e 20% da receita. Entre janeiro e setembro de 2026, Santa Catarina exportou 92 mil toneladas de carne de frango para a China, quase o dobro do volume registrado em igual período de 2025, além de mais de 41 mil toneladas para o México. A China restringiu 14 plantas frigoríficas catarinenses. O México, que inicialmente havia suspendido as compras de todo o Brasil, limitou as restrições a Santa Catarina em 30 de outubro, 12 dias após a identificação do primeiro foco de Newcastle. A regionalização evitou perdas potenciais de quase US$ 1 bilhão, conforme estimativa do Ministério da Agricultura. Metade da carne de frango brasileira exportada para o México tem origem no Paraná, enquanto Santa Catarina responde por 24% dos embarques destinados ao mercado mexicano.

Com a delimitação geográfica do bloqueio, aproximadamente três quartos das exportações catarinenses não foram atingidos pela restrição mexicana. A Arábia Saudita também flexibilizou as medidas inicialmente aplicadas a todo o Estado e passou a limitar o bloqueio à zona afetada. Além da possível pressão sobre os preços, as empresas do setor podem enfrentar dificuldades de fluxo de caixa em razão do aumento dos estoques em câmaras frias, da elevação dos custos logísticos e da ampliação dos prazos de recebimento. As cargas produzidas após 21 de setembro de 2026 permanecem sem certificação para determinados destinos, o que limita as alternativas de comercialização. Uma eventual redução dos abates também poderá diminuir a demanda por milho e farelo de soja, ingredientes que representam aproximadamente 90% da composição da ração utilizada na produção de aves. Mesmo com a contenção sanitária dos focos, a recuperação comercial pode ocorrer em ritmo mais lento.

O episódio de gripe aviária registrado no Rio Grande do Sul em 2025 é apontado como referência: embora o Brasil tenha sido declarado livre da doença em junho daquele ano, a China retirou o embargo nacional somente em novembro, enquanto os embarques gaúchos foram retomados em janeiro de 2026. O intervalo entre a recuperação do status sanitário e a normalização das operações comerciais evidencia que os prazos de negociação e de reabertura dos mercados podem se estender além do calendário sanitário. O setor acompanha os prazos para a recuperação do status sanitário brasileiro. Em 8 de dezembro de 2026, será concluída a janela de 42 dias sem novos registros da doença. Após 90 dias do saneamento, caso não sejam identificados novos focos, o Brasil poderá apresentar solicitação à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A capacidade de resposta do sistema sanitário brasileiro é considerada um ponto favorável, mas o desafio será converter o reconhecimento internacional dos controles adotados em uma retomada mais rápida das exportações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.