ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

06/Nov/2026

Frango: Brasil avança em regionalização sanitária

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou a resposta brasileira aos focos da doença de Newcastle em Santa Catarina durante a 28ª Conferência Regional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para as Américas, realizada em Assunção, no Paraguai. O encontro ocorreu em 2 de novembro e reuniu autoridades veterinárias, representantes dos países-membros e organismos internacionais para discutir a sanidade animal e o fortalecimento dos serviços veterinários no continente. Na mesma ocasião, foi realizada reunião do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), que reúne os ministros da Agricultura de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Na reunião do CAS, o Brasil apresentou informações atualizadas sobre os focos de Newcastle registrados em Santa Catarina.

O primeiro caso foi confirmado em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus, após identificação pela vigilância ativa de rotina do serviço veterinário oficial. Desde então, foram confirmados outros três focos no Estado, totalizando quatro detecções. O caso mais recente foi identificado em 3 de novembro, em um estabelecimento avícola de Nova Erechim (SC), localizado dentro da área de restrição já delimitada. O Mapa detalhou as medidas adotadas desde a primeira suspeita, incluindo restrições ao trânsito de aves e produtos, sacrifício sanitário dos plantéis, limpeza e desinfecção das instalações e intensificação da vigilância epidemiológica. Os três primeiros estabelecimentos envolvidos já concluíram essas etapas e estão em vazio sanitário.

O Brasil notificou a OMSA em 19 de outubro, um dia após a confirmação do primeiro foco, realizou coletiva de imprensa para apresentar as ações de controle e mantém atualizações periódicas à organização e aos parceiros comerciais. A estratégia brasileira tem como um dos principais objetivos ampliar o reconhecimento internacional da regionalização sanitária, de modo que as restrições comerciais sejam limitadas às áreas afetadas, sem comprometer as exportações provenientes de outras regiões do País. China, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul e México já reconheceram algum nível de regionalização. No caso mexicano, a suspensão inicial das importações de todo o Brasil foi limitada a Santa Catarina em 30 de outubro, após tratativas técnicas.

Entre os países do Cone Sul, Argentina e Bolívia restringiram as medidas à área afetada, enquanto Paraguai e Chile limitaram as restrições à Santa Catarina. O Uruguai permanece como o único país do Cone Sul a manter restrições às importações de aves de todo o Brasil. As negociações para o reconhecimento da regionalização, entretanto, avançaram durante o encontro em Assunção. A pedido das autoridades uruguaias, o Mapa encaminhou informações técnicas atualizadas sobre as medidas de controle do surto e aguarda manifestação do país. As delegações participantes e a representação da OMSA avaliaram positivamente a atuação brasileira, considerando o caso um exemplo de aplicação de zoneamento e regionalização sanitária e de confiança entre parceiros comerciais.

O Brasil também se colocou à disposição para compartilhar com a organização a experiência e o conhecimento científico acumulados durante a resposta aos focos, com o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento das normas internacionais. Além da questão sanitária, a reunião ministerial do CAS tratou de diferentes temas de integração regional. Os ministros aprovaram uma declaração conjunta sobre biotecnologia e registraram a participação periódica da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM) e do setor privado nos grupos técnicos do Conselho. Também discutiram uma possível emenda ao protocolo que formaliza a sede permanente do Cosave na Argentina, tema que será retomado na próxima reunião.

A agenda incluiu a harmonização do zoneamento sanitário entre os países, ferramenta já utilizada por 67% dos membros da OMSA, a preparação para os efeitos do El Niño, já instalado na região, e uma proposta de seguro regional contra riscos climáticos, elaborada com apoio do Banco Mundial. Também foram abordadas a vigilância sanitária nas fronteiras e a agilização do trânsito de cargas no Corredor Bioceânico de Capricórnio. A reunião foi presidida pelo ministro de Desenvolvimento Produtivo, Rural e Água da Bolívia, Óscar Mario Justiniano, que ocupa a presidência pro tempore do CAS. O encontro abordou a resposta brasileira à doença de Newcastle, os efeitos sobre o comércio internacional e as possibilidades de ampliar a cooperação entre Brasil e Paraguai na defesa agropecuária. Fonte: Ministério da Agricultura. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.