05/Nov/2026
Segundo o Insper Agro Global, o Brasil precisa demonstrar ao governo chinês que as importações de carne bovina brasileira não representam uma ameaça à pecuária local para tentar reverter as restrições comerciais impostas pelo país asiático. A China continuará dependendo das compras externas para atender à demanda doméstica, mesmo com o crescimento da produção própria. A China não dispõe de condições físicas para produzir todo o volume de carne bovina necessário ao abastecimento interno. O consumo no país asiático passou de aproximadamente 4 quilos para 8 quilos por habitante ao ano, mas ainda permanece distante dos cerca de 35 quilos por habitante ao ano registrados no Brasil. O avanço da demanda está associado, entre outros fatores, à transformação dos hábitos alimentares dos consumidores chineses.
A crise da peste suína africana (PSA), iniciada em 2018, também contribuiu para ampliar o interesse pela carne bovina, especialmente entre consumidores jovens e de maior renda. Segundo Jank, a proteína apresenta características semelhantes às da soja no comércio bilateral, por se tratar de um produto cuja demanda não pode ser integralmente atendida pela produção doméstica chinesa, exigindo importações em larga escala. A China se consolidou como principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo mais da metade dos embarques nacionais. A expansão das vendas ao mercado asiático foi um dos fatores que permitiram ao Brasil ampliar sua participação nas exportações mundiais da proteína, de aproximadamente 16% em 2011 para cerca de 30% atualmente. A imposição da salvaguarda chinesa, entretanto, representa um obstáculo à continuidade desse crescimento.
Em 2026, o Brasil recebeu uma cota de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas para exportação de carne bovina à China. Os volumes que excederem o limite ficam sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, restringindo a expansão dos embarques ao principal mercado da proteína brasileira. Diante das limitações impostas pela medida, o setor precisará ampliar a diversificação dos destinos de exportação. Os Estados Unidos têm potencial para absorver parte da oferta brasileira, considerando a redução do rebanho e da produção pecuária norte-americana e a consequente necessidade de importações. A estratégia de abertura de novos mercados deverá ser acompanhada de esforços diplomáticos para demonstrar à China que a carne brasileira complementa a oferta doméstica, em vez de comprometer a produção local. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.